Ao Ponto (podcast do jornal O Globo)

O Globo

Aqui ninguém perde tempo, é direto ao ponto. O podcast do GLOBO, publicado de segunda a sexta-feira às 6h, aborda os principais temas do Brasil e do mundo, para que você compreenda tanto os desafios da economia e os trâmites da política, quanto as inovações tecnológicas e a efervescência cultural. É muito?

Os jornalistas Carolina Morand e Roberto Maltchik, apresentadores do AO PONTO, encaram o desafio. A cada episódio eles recebem convidados para uma conversa sobre os acontecimentos mais relevantes do dia.

All Episodes

O namoro foi demorado, cheio de idas e vindas. Mas, agora, parece que o presidente Jair Bolsonaro acertou de vez os ponteiros com o chefe do PL, o ex-deputado Valdemar Costa Neto. O casamento está marcado para o dia 30 e o contrato pré-nupcial é cheio de regras. Por isso mesmo, a filiação ao partido correu riscos até o último minuto. Em entrevista à rádio Sociedade da Bahia, na quinta-feira, Bolsonaro explicou o que seria a condição mais importante para ingressar no PL: impedir qualquer tipo de aliança com legendas de esquerda. Mas a realidade mostra que não é bem assim. Nem todos os acordos regionais do PL estão na mira do presidente. E, principalmente, as condicionantes apresentadas também estão fora da esquerda. Valdemar Costa Neto descumprirá acordos previamente acertados com nomes identificados com a direita e a centro-direita. Não deve apoiar a candidatura do vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que se lançará ao Palácio dos Bandeirantes pelo PSDB. Na Bahia, quem ficará sem apoio do PL é ACM Neto, do DEM, que demarcou sua distância do presidente no lançamento do União Brasil, partido que resultará da fusão com o PSL. No Ao Ponto desta sexta-feira, a repórter Natália Portinari explica o que muda no xadrez eleitoral com a filiação do presidente ao PL. A colunista Bela Megale analisa de que forma que a filiação de Bolsonaro impacta os planos dos ministros do governo nas eleições de 2022.

Nov 26

22 min 39 sec

A exploração ilegal de ouro e de outros minerais é um problema que se perpetua por mais de quatro décadas na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Nos últimos anos, a situação se agravou com o estímulo à presença de garimpeiros nessa região. A atividade criminosa acaba com a vida dos rios que abastecem 370 aldeias da maior reserva indígena do país. Ocorre que o avanço das ações ilícitas coincide com um surto de malária e com o descaso das autoridades de saúde. Nos últimos dois anos, foram registrados 44 mil casos da doença nas comunidades. A malária e também a subnutrição fazem das crianças as principais vítimas. E, nesse contexto, na ausência de suporte estatal, a relação cada vez mais estreita entre indígenas e garimpeiros transforma o invasor em um aliado eventual. A reportagem do GLOBO obteve o relato de um entre tantos garimpeiros que, de tão próximos às comunidades, acabam suprindo parte das graves deficiências de atendimento médico dentro da reserva. O governo garante que investe e dá suporte, mas a própria Funai reconhece que desde março de 2020, no começo da pandemia, a entrada de médicos e profissionais de saúde da Fiocruz está proibida. O Ministério da Saúde diz que nesse período realizou 16 missões para atender as aldeias. Mas os indígenas relatam um cenário de abandono, no qual faltam remédios, inclusive cloroquina, alimentos e água potável. No Ao Ponto desta quinta-feira, o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kuana, Junior Hekurari, relata a dimensão dos estragos causados pelo surto de malária sem a devida assistência das autoridades de saúde. E conta de que forma até os garimpeiros acabam por auxiliar a suprir parte das necessidades por medicamentos e alimentos.

Nov 25

23 min 10 sec

Uma orgia de violência. Foi assim que o prefeito de Roterdã classificou a ação de manifestantes que foram às ruas da cidade holandesa protestar contra restrições adotadas para conter o avanço da Covid-19. Após a Holanda atingir o pico de novos casos desde o início da pandemia, a queima de fogos do reveillon foi suspensa pelo segundo ano consecutivo, e o funcionamento de bares e academias sofre restrições. Com um pouco mais de 72% de toda população vacinada, a Holanda é um dos países com o maior crescimento de casos da doença na Europa. A situação é ainda mais preocupante na Áustria, que se tornou o primeiro país da Europa a voltar com o lockdown nacional para enfrentar a doença. O governo austríaco resolveu adotar medidas ainda mais duras para enfrentar a quarta onda de infecções, que faz com que a Europa seja o único continente em que as mortes crescem neste momento. Os especialistas são unânimes em afirmar que na Áustria, assim como na Holanda, na Alemanha, na Bélgica, na França ou na Letônia, a população vacinada paga o preço pela resistência de quem recusa a imunização. Apenas 60% dos letões estão vacinados, enquanto a média da União Europeia é de 75%. Na Áustria, estimulados pelo Partido da Liberdade, de extrema-direita, milhares de pessoas foram às ruas de Viena protestar contra a vacinação obrigatória, que deve entrar em vigor a partir de primeiro de fevereiro de 2022. A Organização Mundial da Saúde alertou que a Europa pode registrar, até março, 700 mil novas mortes pela Covid. E o ministro da Saúde da Alemanha fez um apelo para que mais gente se vacine, segundo ele, ao final do inverno, o país estará dividido entre os vacinados, os recuperados e os mortos. No Ao Ponto desta quarta-feira, a repórter Viviam Oswald, radicada em Londres, fala sobre os estragos causados pela resistência a vacinação. Ela ainda analisa de que forma o continente se fecha, cada vez mais, as pessoas que rejeitam o imunizante.

Nov 24

21 min 15 sec

Milhares de brasileiros já passaram, estão passando ou vão passar por vazamentos de seus dados na internet ou por golpes decorrentes disso. Gente como a Cecília Rodrigues, de 61 anos, da cidade de Rio Pomba (MG), que teve seus dados utilizados de maneira indevida e agora contesta dívidas de uma operadora de telefonia. "Até hoje não sei como meus dados foram vazados, e como conseguiram abrir uma conta em meu nome", lamenta. Na verdade, ninguém está livre do risco de ver seus dados serem vazados indevidamente e chegarem às mãos de criminosos. Além dos vazamentos em massa de bancos de dados de empresas como operadoras de telefonia, há ainda as tentativas de captura das informações que usamos na internet. De uma forma ou outra, todas modalidades levam ao caminho dos golpes, em pequena ou larga escala. Apenas do terceiro trimestre deste ano, um dispositivo da PSafe, empresa especializada em segurança digital, bloqueou 12 milhões de programas maliciosos, que funcionam como vírus e contaminam computadores e celulares. Houve uma alta de 150% em relação ao trimestre anterior. E tudo isso exige atenção individual, mas também das empresas que, muitas vezes, investem aquém do necessário para evitar as ações criminosas. No Ao Ponto desta terça-feira, a repórter Pollyana Bretas explica como detectar se seus dados estão sendo utilizados de maneira indevida. Ela também analisa o papel das empresas na prevenção de danos com vazamentos de informações pessoais e de que forma a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) protege os usuários da internet.

Nov 23

23 min 4 sec

No Brasil e no mundo, os créditos de carbono e o chamado mercado de carbono se tornaram figurinha repetida no noticiário sobre as mudanças climáticas. O pagamento pelas emissões e os créditos recebidos por quem faz o dever de casa estão na lista das iniciativas mais importantes para alcançar as metas do acordo de Paris, que demandam investimentos multibilionários. E os países enfrentam dificuldades para decidir como essa conta será paga. É nesse contexto que o funcionamento desse mercado é de grande importância. O problema é que, na prática, sua implementação, principalmente na condição de um sistema internacional de créditos de carbono, ainda é um grande desafio. Entre os desafios para implementar o mercado internacional estão a definição do preço da tonelada de carbono, a contabilização das emissões e o gerenciamento dos fluxos financeiros. São questões-chave que foram discutidas durante a conferência do clima, em Glasgow, que terminou no começo de novembro. E alguns avanços importantes no sentido de regulamentar esse mercado foram conquistados. E o Brasil pode ser um dos maiores beneficiados, com estimativas de ganhos bilionários nos próximos anos. No Ao Ponto desta segunda-feira, que integra o projeto Um Só Planeta, Marina Mattar, integrante brasileira do comitê do Banco Mundial criado para discutir a precificação de carbono, explica como funciona esse mercado e os desafios para implementação do sistema que pode ser decisivo para neutralizar as emissões de gases que aceleram o aquecimento global.

Nov 22

25 min 35 sec

Realizada em 10 de novembro, a última edição de 2021 do E AGORA, BRASIL? discutiu o reaquecimento do turismo no país. Participaram Alexandre Sampaio, presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação; Carina Câmara, coordenadora da Câmara Temática de Turismo do Consórcio Nordeste; Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil; Leonel Andrade, presidente da CVC; e Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens. A mediação é de Mariana Barbosa, colunista do GLOBO, e Maria Luiza Filgueiras, colunista do Valor Econômico. O E AGORA, BRASIL? é uma realização dos jornais O GLOBO e Valor Econômico, com patrocínio do Sistema Comércio através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações.

Nov 20

40 min 40 sec

Os primeiros dias de pagamento do programa que vai substituir o Bolsa Família fizeram que que muitos brasileiros enfrentassem filas em agências da Caixa Econômica Federal e Centros de Referência de Assistência Social (Cras). Foram inúmeras as capitais, como Salvador, Rio, Goiânia, Belo Horizonte e Recife, em que a fila dobrou o quarteirão. Mas, pior que a fila, é a desinformação. Muita gente foi para as agências da Caixa sem saber se voltaria para casa com o dinheiro do Auxílio Brasil. Não foram poucos aqueles que ficaram sem nada. Outros receberam o valor do Bolsa Família, mas acreditavam no depósito de 400 reais, que ainda nem está garantido. Um terceiro grupo também enfrentou fila, era o pessoal que recebeu a última parcela do auxílio emergencial e que não sabe como vai ficar agora. A confusão é grande porque o substituto do Bolsa Família foi para a rua sem que houvesse a conclusão de todas os estudos e mudanças legais previstas para sua implementação. A PEC que pode garantir o pagamento de 400 reais ainda segue em tramitação no Congresso e sujeita a mudanças, o que deve retardar sua aprovação. A forma como serão incluídos novos beneficiários também não está clara. Ninguém sabe hoje, no detalhe, quem ficará dentro ou fora do novo programa de transferência de renda. No Ao Ponto desta sexta-feira, a jornalista Martha Imenes relata as dificuldades enfrentadas pela população para receber o benefício por meio do programa social. O economista Ricardo Henriques analisa as falhas de concepção do programa criado para substituir o Bolsa Família.

Nov 19

26 min 47 sec

Em março desse ano, enviados de alto nível de China e Estados Unidos participaram de uma tensa rodada de negociações no Alaska. Os chineses acusaram os americanos de usar a força militar e a hegemonia econômica para prejudicar seus negócios e incitar ataques de outras nações. Os americanos sustentaram que os chineses ameaçam a ordem baseada em regras que mantém a estabilidade global. Nesse clima, considerado por muitos analistas como o pior momento da relação entre os dois países, o presidente americano Joe Biden e o chinês Xi Jinping fizeram uma videoconferência de mais de três horas, que terminou na madrugada de terça-feira. Não houve grandes anúncios, como já era esperado. Mas, para muitos, o simples encontro entre Biden e Xi, velhos conhecidos da arena internacional, foi visto como um recomeço. Por trás dessa tensão crescente estão a competição comercial entre os dois gigantes, com a entrada cada vez mais agressiva da China nos mercados de tecnologia e infraestrutura, e os temas militares, como a constante pressão chinesa sobre Taiwan, uma democracia aliada de Washington. Parlamentares do Partido Democrata, do presidente Joe Biden, também consideram prioridade a diminuição do risco nuclear que a China representa. No Ao Ponto desta quinta-feira, os professores de Relações Internacionais Maurício Santoro (Uerj) e Gustavo Poggio (Faap), especialistas nas políticas de China e Estados Unidos, da Faap, analisam os temas mais sensíveis das negociações entre Joe Biden e Xi Jinping e o que é possível esperar da retomada do diálogo entre os líderes de China e EUA. Eles também explicam como a competição entre as duas potências reproduz os embates entre americanos e soviéticos na guerra fria.

Nov 18

26 min 3 sec

Depois de anunciar para o próximo dia 22 o seu ingresso no PL, Jair Bolsonaro recuou e pôs em compasso de espera sua entrada no partido de Valdemar Costa Neto. As negociações esfriaram depois que o presidente e o chefe do partido se desentenderam sobre acordos regionais para as eleições do ano que vem. Em São Paulo, o PL deve apoiar o vice-governador Rodrigo Garcia. Já Bolsonaro aposta suas fichas na candidatura do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que serviria como um puxador de votos no maior colégio eleitoral do país. Após uma intensa troca de mensagens entre os dois, na madrugada de domingo, Bolsonaro decidiu cancelar o ato de filiação. Esse episódio com o PL, porém, é apenas mais um entre os diferentes "namoros" que o presidente iniciou, de olho na disputa de 2022, mas que podem ficar pelo caminho. Nos últimos meses, Bolsonaro negociou para ingressar no PP do chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, outro expoente do centrão. Esse ano também, fez sondagens com o Partido da Mulher Brasileira (PMB) e com o Patriota. Bolsonaro conversou ainda com o PTB, de Roberto Jeferson, que, agora, reclama de ter sido abandonado. Anteriormente, Bolsonaro ainda se esforçou para criar o seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil, que não emplacou por não ter alcançado as 492 mil assinaturas necessárias para a sua oficialização. No Ao Ponto desta quarta-feira, o colunista Bernardo Mello Franco analisa os motivos de Bolsonaro enfrentar tantas dificuldades para escolher seu novo partido, e como o presidente pode se beneficiar desses impasses para fortalecer sua imagem junto ao seu eleitorado mais fiel.

Nov 17

23 min 22 sec

Por quatro votos a um, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou todas as provas produzidas a partir de despachos do juiz Flávio Itabaiana no caso das “rachadinhas” do gabinete do senador Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, à época em que exercia o mandato de deputado estadual. Trata-se da mais importante vitória do parlamentar em sua batalha jurídica contra as apurações do Ministério Público sobre o esquema, que já levaram à denúncia de Flávio, seu ex-assessor Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas. A defesa do senador alega inocência e diz que o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro é alvo de perseguição. Também sustentou junto ao STJ que o juiz de primeira instância, designado para o caso por meio de sorteio, não teria competência legal para determinar as diligências que ampararam a investigação. Com a decisão dos ministros da Corte em Brasília, os achados obtidos a partir de decisões judiciais de primeira instância perderam validade. Na lista de provas descartadas estão os dados das quebras de sigilo bancário e fiscal de Flávio, e de Queiroz, que foram decisivos para comprovar que os funcionários devolviam parte dos salários que recebiam no gabinete.  No Ao Ponto desta terça-feira, o repórter especial Chico Otávio analisa as implicações da decisão do STJ e as possíveis medidas que poderão ser tomadas pelo Ministério Público a partir de agora. Ele também conta os bastidores do clima entre os investigadores após o caso voltar praticamente à estaca zero.

Nov 16

21 min 46 sec

Às vésperas do encerramento da Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em Glasgow, na Escócia, o financiamento das ações de combate ao aquecimento global está no centro das discussões. A conta é salgada e complexa. Envolve a reparação de danos dos eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas; o apoio a países pobres e em desenvolvimento para conviver com um planeta mais quente; e, por fim, os investimentos necessários para transformar a economia e fazê-la cada vez menos dependente dos combustíveis fósseis, de forma a alcançar as metas de redução das emissões de carbono na atmosfera definidas a partir do Acordo de Paris. E falta muito para que haja consenso entre as nações para definir quem paga a fatura e de que forma isso deve ser feito. Os negociadores na Cop26 lutam para os países ricos firmem o compromisso de reunir, por ano, US$ 100 bilhões para ajudar nações pobres a lidarem com as mudanças climáticas. O primeiro problema é que essa quantia dá conta de apenas uma fração dos esforços globais necessários para frear o impacto do aquecimento global, já que serve apenas como ajuda aos países pobres. A segunda questão é que esse dinheiro já deveria ter sido mobilizado em 2020, segundo acordo firmado na COP-15, em 2009, o que não aconteceu. No Ao Ponto desta sexta-feira, que integra o projeto Um Só Planeta, o coordenador do MapBiomas, o engenheiro florestal Tasso Azevedo explica a disputa entre países ricos, pobres e em desenvolvimento para definir quem vai arcar com os custos para conter os efeitos das mudanças climáticas. Ele também analisa o papel do Brasil no debate sobre os recursos que devem financiar uma economia sustentável.

Nov 12

25 min 27 sec

Depois de escapar de um impeachment após os protestos em Santiago e nas principais cidades do Chile, entre 2019 e 2020, o presidente Sebastián Piñera enfrenta um segundo processo que pode abreviar seu mandato. Acusado de corrupção na venda de uma mineradora da sua família, Piñera tenta evitar a perda do cargo e uma punição que o deixaria inelegível por cinco anos. O pedido da oposição já foi aprovado na Câmara dos Deputados, e agora tramita no Senado, que deve anunciar sua decisão no começo da próxima semana. Tudo isso ocorre a menos de quinze dias das eleições que definirão o novo chefe do executivo do país, em uma disputa que agora se dá entre a esquerda, liderada pelo ex-líder estudantil Gabriel Boric, e a extrema-direita, representada Jose Antonio Kast, defensor do governo Pinochet e que tem posições semelhantes às do presidente Jair Bolsonaro. Reflexo do delicado momento político de Piñera, o candidato de centro-direita, apoiado pelo governo, está sem expressividade nas pesquisas. Já Jose Antonio Kast era tido, no início, como uma candidatura difícil de emplacar, mas virou um azarão, assumiu a dianteira em pesquisas e tentar capturar parte do eleitorado de Piñera. No Ao Ponto desta quinta-feira, os repórteres André Duchiade e Janaína Figueiredo explicam como está o processo de impeachment e analisam a disputa eleitoral marcada para o próximo dia 21. Eles também detalham o perfil de Kast e de seu opositor, considerado um político moderado do campo de esquerda.

Nov 11

23 min 50 sec

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vive o que já é considerado o seu pior momento em quase 85 anos de existência. Para o educador e ex-presidente da autarquia Francisco Soares, trata-se de uma "crise no coração da educação brasileira", pois o órgão é fundamental para o avanço da qualidade do ensino no país. Até mesmo o professor Marcos Vinicius Rodrigues, o primeiro presidente no governo Bolsonaro, contou que o Inep está sendo "ferido de morte". As adversidades no Instituto responsável pelo Enem, o Censo Escolar e as avaliações que norteiam a educação brasileira são tão grandes que, nos últimos dias, 37 servidores com funções de coordenação pediram exoneração de seus cargos. E tudo isso acontece a menos duas semanas do primeiro dia de provas do Enem, marcadas para 21 e 28 de novembro, com cerca de 3,11 milhões de estudantes inscritos. O MEC e o Inep garantem que o cronograma está mantido. Afirmam ainda que os coordenadores ficam nas funções até que a exoneração seja publicada no Diário Oficial. Os técnicos do órgão avaliam que o planejamento do Enem já foi concluído e, a princípio, não há risco de apagão antes da realização do exame. Porém, os mesmos servidores reconhecem que a crise, e o pedido de exoneração coletivo resultante dela, podem afetar a solução de problemas que acontecem no dia da prova. No Ao Ponto desta quarta-feira, a repórter Paula Ferreira detalha os bastidores da exoneração dos 37 coordenadores do Inep e analisa os riscos provocados por essa crise na execução do exame.

Nov 10

25 min 29 sec

Na madrugada da última quinta-feira, o Palácio do Planalto obteve uma importante vitória na Câmara dos Deputados. Aprovou em primeiro turno a Proposta de Emenda à Constituição que permite ao governo adiar o pagamento de dívidas judiciais e furar o teto de gastos. Com isso, abre um espaço de mais de R$ 90 bilhões para pagar o Auxílio Brasil de R$ 400 e ainda outras ações que poderão turbinar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro em ano de eleições. Mas essa negociação não foi nada simples. Com votação apertada, a aprovação foi obtida graças a uma mudança no texto e também motivada por um incentivo a mais para apoiar o governo. O governo liberou o pagamento de mais de R$ 900 milhões nas chamadas emendas do relator. E até deputados de oposição, do PDT e do PSB, e de várias outras legendas, especialmente do centrão, foram beneficiados. Esse mecanismo foi criado pelo próprio Legislativo para executar obras e serviços de interesse dos parlamentares, sem passar pelo sistema oficial que identifica nome, valor e destinação do recurso. Essas emendas foram questionadas pela oposição e a ministra Rosa Weber vetou e pediu o transparência ao Congresso. No ao ponto desta terça-feira, as repórteres Mariana Carneiro e Natália Portinari explicam como funciona o mecanismo usado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, para atrair apoio parlamentar e de que forma a suspensão dos repasses das emendas do relator tensiona a relação entre Legislativo e Judiciário.

Nov 9

25 min 56 sec

Na CPI da Covid, chamou a atenção a frequência de depoentes apontados como lobistas de empresas suspeitas de relações ilícitas com servidores do Ministério da Saúde. Como estratégia de defesa, muitos deles rejeitavam o termo, estigmatizado como sinônimo de tráfico de influência ou corrupção. Porém, essa zona cinzenta poderia ser desfeita, caso a atividade fosse regulamentada, o que não ocorre no Brasil. Mesmo sem regras definidas, o lobby, hoje, já é uma atividade reconhecida pelo Ministério do Trabalho para designar o profissional responsável pela relação de empresas, sindicatos, ONGs e quaisquer outros grupos com o poder público. Se o reconhecimento como profissão chegou em 2018, o primeiro projeto para sua regulamentação foi protocolado no Congresso em 1989, mas jamais encontrou condições de ser levado à votação no plenário. Em outros países, como nos Estados Unidos, uma série de regras dão mais transparência à prática do lobby, com procedimento de conduta nos contatos, como a proibição de brindes, a identificação de empresas e do dinheiro usado para tentar influenciar um agente público. No Ao Ponto desta segunda-feira, o advogado Eduardo Pazinato, especialista em Segurança, Justiça e Compliance pelo Escritório da Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), explica o que é o lobby, como a atividade se diferencia de ações ilícitas e por que há demora no Congresso para regulamentá-lo.

Nov 8

24 min 18 sec

Crianças entre 5 e 11 anos já começaram a receber a vacina contra a Covid-19 nos Estados Unidos, após aprovação de seu uso emergencial pela agência reguladora do país, a Food and Drug Administration (FDA). A vacina aprovada para o uso nessa faixa etária foi a da Pfizer/BioNTech. São duas doses fracionadas, com eficácia maior que 90% contra infecções. Outros países já aderiram à imunização de crianças abaixo dos 12 anos de idade. A vacinação do grupo de crianças e adolescentes pode garantir a cobertura de mais de 30% da população mundial e um quarto da população brasileira. No entanto, o processo de autorização da vacina para este grupo no Brasil ainda vai levar algum tempo. A Anvisa deve receber ainda neste mês o pedido da Pfizer para a aprovação da aplicação do imunizante neste público. Os documentos devem ser semelhantes aos apresentados às autoridades de saúde dos Estados Unidos. A aplicação das vacinas em crianças, no entanto, enfrenta resistência do próprio governo, e a Anvisa é alvo de ameaças de radicais antivacina, que já estão sob investigação da política. No Ao Ponto desta sexta-feira, o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, o médico pediatra e infectologista Renato Kfouri, fala sobre as expectativas sobre o início da vacinação de crianças no Brasil e por que é importante imunizar este grupo da população, ainda que os riscos de internação e óbito sejam menores.

Nov 5

25 min 21 sec

Depois de um período nos Estados Unidos, o ex-juiz da Lava-Jato e ex-ministro da Justiça Sergio Moro desembarcou essa semana em Brasília disposto a participar da disputa eleitoral de 2022. O Podemos, partido do senador Álvaro Dias (PR), marcou seu ato de filiação para o próximo dia 10. E a expectativa da legenda é que Moro se apresente como candidato a presidente da República. Mas o ex-juiz sofre resistências entre políticos, críticos da operação Lava-Jato, petistas e bolsonaristas. E, por isso, terá obstáculos importantes para superar caso realmente queira se viabilizar como o candidato de terceira via e enfrentar Lula e Bolsonaro no ano que vem. Na quarta-feira, o ex-juiz da Lava-Jato teria um encontro com dirigentes do PSL, partido que se uniu ao DEM para criar o União Brasil. Mas, por pressão de caciques da legenda, que não querem associar o PSL à candidatura de Moro, o encontro foi cancelado. Mas esse é apenas um obstáculo para Moro se consolidar na disputa. Até o momento, já são 11 políticos que se apresentam como opções para a terceira via. Na lista, um dos nomes do PSDB, que vai definir, este mês, quem deve ser oficializado como representante tucano ao pleito: o governador de São Paulo, João Doria, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite ou o ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, o PSDB. Também despontam o pedetista Ciro Gomes e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que anunciou recentemente a saída do DEM para o PSD, legenda pela qual deve ser candidato em 2022. Já o MDB se movimenta para lançar a senadora Simone Tebet como pré-candidata. No Ao ponto desta quinta-feira, a colunista Bela Megale conta os bastidores das articulações de Moro para ser candidato em 2022, e o cientista político Carlos Melo, do Insper, analisa as chances de outros pré-candidatos abrirem mão de seus nomes diante do cenário em que o ex-juiz da Lava Jato aparece, hoje, entre os mais fortes para a disputa.

Nov 4

28 min 8 sec

As defesas do ex-vereador Jairinho e da professora Monique Medeiros mudaram de estratégia no processo que apura a morte de Henry Borel, de 4 anos. Os advogados dos réus agora apresentam laudos que questionam e criticam as investigações realizadas pela Polícia Civil. O Ministério Público, por sua vez, também ajustou a narrativa que será utilizada nos próximos meses, quando o ex-casal, acusado pela morte do menino, deve ser levado ao Juri O ex-casal está preso desde o dia 8 de abril pelos crimes de tortura e homicídio triplamente qualificado, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. A continuação da audiência de instrução e julgamento do processo acontecerá nos dias 14 e 15 de dezembro. Uma das estratégias da defesa, e questionada pelo pai do garoto, Leniel Borel, é a de afirmar que Henry ainda estava vivo quando deixaram o apartamento, tendo morrido no hospital. A argumentação, contrária à da Polícia Civil, é sustentada pela defesa com um vídeo do ex-casal tentando reanimar a criança no elevador do prédio em que viviam, na Barra da Tijuca, Zona Oeste. No caso da acusação, a versão de que Jairinho matou Henry porque o menino atrapalharia o relacionamento foi abandonada. Agora, o MP afirma que o ex-vereador assumiu o risco de matar pelo prazer de agressões a crianças, como fora relatado à polícia por outras mulheres que tiveram relacionamento com ele. No Ao Ponto desta quarta-feira, a repórter Paolla Serra conta como o Ministério Público e os advogados do ex-vereador Jairinho e de Monique, a mãe do menino morto aos quatro anos, se preparam para a etapa decisiva do julgamento.

Nov 3

25 min

Há quase dez anos era sancionada a Lei de Acesso à Informação (LAI), com o objetivo de garantir o direito de acesso aos pedidos de informação pública feitos por qualquer pessoa, física ou jurídica. No governo do presidente Jair Bolsonaro, no entanto, houve um retrocesso por parte dos órgãos federais na aplicação da LAI, com queda nos índices de resposta e aumento do percentual de negativas desde o início do mandato. A média geral do desempenho individual de cada ministério, a partir de dados da Controladoria Geral da União (CGU), órgão encarregado de monitorar a transparência na administração pública federal, mostram que apenas 64,9% dos pedidos foram concedidos. A média é menor que a das duas gestões anteriores, de Dilma Rousseff e Michel Temer. A má aplicação da LAI na gestão de Bolsonaro também é marcada por casos como o do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O general da ativa teve o processo administrativo, que apurava conduta indisciplinar por ter participado de um ato político ao lado do presidente, colocado sob sigilo de 100 anos pelo Exército. Bolsonaro também estabeleceu sigilo de dados sobre o acesso dos filhos ao Palácio da Alvorada e suspendeu, durante a pandemia, os prazos de tramitação de pedidos feitos por meio da LAI. A medida foi derrubada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) alguns dias depois. No Ao Ponto desta segunda-feira, o jornalista Francisco Leali faz um balanço da primeira década de aplicação das normas para a divulgação de informações dos órgãos públicos em todo o Brasil e analisa os retrocessos à legislação desde o início do atual governo.

Nov 1

27 min 7 sec

Nos últimos meses, Portugal chamou a atenção pela forma como enfrentou e vem saindo da pandemia. Em uma frente, a vacinação avançou como em nenhum outro lugar da Europa, com mais de 87% da população totalmente imunizada. Em outra, o país conseguiu números expressivos de crescimento econômico, com PIB avançando 4,9% no segundo trimestre e sendo a maior alta de uma lista com 29 nações. Apesar disso, para surpresa de muitos portugueses, o país, que tem cerca de 183 mil brasileiros em uma população de mais de 10 milhões de pessoas, passou a enfrentar uma crise política nesta semana. Com a rejeição da proposta de Orçamento de Estado para 2022, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, do Partido Socialista (PS), se vê diante do risco de perder o poder. A proposta apresentada pelo governo Costa foi alvo de críticas e recebeu votos contrários tanto da oposição de direita, quanto dos partidos de esquerda, marcando a falta de maioria parlamentar do premiê. O impasse ameaça os planos que poderiam impulsionar ainda mais a economia local, com a destinação de € 16,6 bilhões do plano de ajuda da União Europeia. No Ao Ponto desta sexta-feira, o jornalista Gian Amato,do blog Portugal Giro, explica quais as chances de Costa continuar no poder e como o país pode responder à crise política desencadeada pelas desavenças entre o premier e seus antigos aliados da coalizão de esquerda.

Oct 29

22 min 55 sec

Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26), que começa domingo em Glasgow, na Escócia, o Brasil está pressionado para aumentar os compromissos de redução de emissão de carbono na atmosfera e combater o avanço do desmatamento. O país foi o único do G-20 a recuar na meta de redução de emissão de gases que contribuem para o aquecimento global, o que foi considerado um retrocesso pela ONU. Esse recuo se deu por meio do que já é chamado de “pedalada climática”. Segundo os especialistas, essa pedalada é fruto de uma manobra contábil do governo para alterar a meta brasileira e representa uma violação do Acordo de Paris. Por essas a outras razões, o Brasil deve perder na COP-26 o status de protagonista, posição que tradicionalmente ocupou em encontros anteriores. Sem a presença do presidente Jair Bolsonaro, o chefe da delegação brasileira deve ser o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, o que também é considerado um ponto de fragilidade da posição do país na conferência mundial. Em contrapartida, os Estados Unidos, sob Joe Biden, a China e diversos países europeus chegam com delegações de alto nível e promessas de dinheiro e metas mais ambiciosas no debate sobre o futuro do planeta. Por isso, os principais líderes mundiais, ou seus representantes de alto escalão, estarão em Glasgow. No Ao Ponto desta quinta-feira, que integra o projeto Um Só Planeta, a cientista Mercedes Bustamante, referência internacional em assuntos sobre o clima, analisa a situação do Brasil na COP-26 e de que forma a polêmica sobre a meta de redução de emissão de gases de efeito estufa afeta a participação do país. Ela também conta quais são os resultados que o mundo pode esperar desse encontro.

Oct 28

26 min 43 sec

Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central encerra a primeira reunião que definirá a nova taxa básica de juros (Selic) após o governo anunciar o Auxílio Brasil, programa que vai substituir o Bolsa Família, com um valor de 400 até o final de 2022. A indicação de uma flexibilização do teto de gastos para abrir espaço no orçamento para esse programa, com o aval do ministro Paulo Guedes, fez com que os principais indicadores econômicos se deteriorassem. O dólar está mais pressionado, em um cenário de inflação alta. O IPCA-15, prévia da inflação oficial do país, fechou em 1,20% em outubro, sendo a maior alta para o mês desde 1995. E, por isso, o mercado refez as contas para o aumento da taxa de juros. Se antes a previsão era de elevação de um ponto percentual, agora é de 1,5 p.p. Essa combinação prejudica toda a economia e provoca o risco de estagnação econômica e inflação alta, o que é chamado de estagflação. O Itaú revisou a previsão de crescimento da econômica para 2022. O banco, que antes previa um crescimento de 0,5% em 2022, agora calcula uma possibilidade de retração de 0,5%. O risco de descontrole fiscal também afeta a elevada dívida pública, com reflexos sobre a saúde da economia. No Ao Ponto desta quarta-feira, a editora de economia do GLOBO, Luciana Rodrigues, explica o que é estagflação e analisa de que forma o maior risco de descontrole dos gastos públicos prejudica o conjunto dos indicadores, com reflexões, principalmente, entre os beneficiários do novo programa social.

Oct 27

24 min 3 sec

A chapa que uniu o presidente Jair Bolsonaro e o vice Hamilton Mourão estará, a partir desta terça-feira, sob julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusada de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. A suspeita é de disparos em massa de mensagens pelo WhatsApp e de impulsionamento de conteúdo de campanha durante as eleições de 2018, prática considerada irregular. As duas ações foram ajuizadas pela coligação formada por PT, PCdoB e Pros e pedem a cassação da chapa vitoriosa na última eleição presidencial. O julgamento ocorrerá às vésperas do ministro Luís Felipe Salomão, relator dos casos, deixar o posto de corregedor-geral, com o término do mandato no dia 29 de outubro. O Ministério Público Eleitoral (MPE) deu parecer contra a cassação da chapa, por acreditar que os elementos reunidos não apontam que tenha havido "desequilíbrio" nas eleições a ponto de justificar a punição. No Ao Ponto desta terça-feira, a repórter Mariana Muniz explica de que forma provas transferidas pelo STF podem influenciar a decisão dos ministros e como esse caso pode repercutir nas eleições de 2022.

Oct 26

23 min 55 sec

A nova mutação da variante Delta do coronavírus tem preocupado as autoridades sanitárias da Europa, sobretudo no Reino Unido, com a alta no número de casos registrada na última semana no país. Dados oficiais sugerem que 6% dos casos mais recentes são desse novo tipo, chamado de Delta plus ou AY.4.2. Além do aumento na quantidade de casos no Reino Unido, outros países da Europa enfrentam uma disparada de casos, como a Letônia, que declarou novo lockdown para conter o avanço da doença até, pelo menos, a segunda semana de novembro. A Rússia passa por situação semelhante e vai impor nova quarentena a partir desta quinta-feira, com duração de 10 dias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a Europa é, atualmente, a única região do mundo com alta de novas infecções. No episódio desta segunda-feira, a jornalista Vivian Oswald, colaboradora do GLOBO em Londres, fala sobre a preocupação com uma nova onda da Covid no Reino Unido e a situação do continente europeu em relação à pandemia, à vacinação da população e à volta de medidas de proteção, como a obrigatoriedade do uso de máscaras.

Oct 25

22 min 6 sec

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou na noite de quinta-feira, por 23 votos a favor e 11 contra, o texto-base da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que adia a quitação de precatórios – as dívidas judiciais do governo. A proposta também incluiu uma mudança nas regras do teto de gastos. As novas regras abrem um espaço de R$ 83 bilhões no Orçamento de 2022, o que permitiria ao governo gastar mais no ano eleitoral. O texto deve ser votado na próxima semana no plenário da Câmara. A mudança no teto de gastos foi incluída de última hora na PEC dos Precatórios. Investidores avaliam o movimento como uma manobra fiscal do governo para bancar o valor de R$ 400 do Auxílio Brasil, o programa que vai substituir o Bolsa Família, sem queimar o teto de gastos. Na prática, só não haveria descumprimento do teto porque o limite seria aumentado. Pouco antes da aprovação do texto-base da proposta na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, a equipe econômica do governo sofreu baixas. O secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, e seus secretários adjuntos, pediram demissão em meio à crise do teto de gastos. O mercado reagiu, com disparada do dólar e queda acentuada da Bolsa de São Paulo. À noite, o presidente Jair Bolsonaro disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, continua no governo, e que a prioridade agora é dar continuidade à agenda de reformas no Congresso. Na edição desta sexta-feira do Ao Ponto, o repórter Manoel Ventura, de Brasília, e o economista Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente, do Senado, explicam o significado das mudanças no teto de gastos e as possíveis consequências da medida, do bolso da população à economia do país.

Oct 22

25 min 38 sec

Depois de quase seis meses de trabalhos, a CPI da Covid apresentou seu relatório final, com a recomendação de indiciamento do presidente Jair Bolsonaro e mais 65 pessoas, além de duas empresas. Na última versão do documento, foi retirada a acusação de genocídio contra a população indígena, mas o presidente ainda pode ser indiciado por nove crimes, incluindo o de crime contra a humanidade. O texto também manteve as acusações contra os três filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), por suspeita de incitação ao crime através de propagação de informações falsas. O documento deve ser votado na CPI na próxima semana. As conclusões foram tiradas a partir dos depoimentos e das investigações ao longo dos últimos meses de trabalho e foram apresentadas pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão. Ele classificou como “trágica” e “vergonhosa” a forma como o governo federal se posicionou no combate à pandemia. Para entender melhor os principais pontos do relatório final, a retirada da acusação de crime de genocídio ao presidente, e saber os próximos passos do documento da CPI, o Ao Ponto desta quinta-feira traz como convidadas a repórter Natália Portinari, de Brasília, e a jurista Sylvia Steiner, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e ex-juíza do Tribunal Penal Internacional.

Oct 21

29 min 32 sec

Entre alfinetadas e declarações de mea-culpa, os pré-candidatos do PSDB à Presidência participaram, nesta terça-feira, de um debate promovido pelos jornais O GLOBO e Valor Econômico. Os governadores João Doria, de São Paulo, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, que disputam a indicação do partido para o pleito de 2022, discutiram também sobre o teto de gastos, reeleição e a realização de reformas. Um dos assuntos mais citados durante duas horas e meia de debate, mediado pela colunista do GLOBO Vera Magalhães, foi o apoio ao presidente Jair Bolsonaro, então candidato pelo PSL, no segundo turno das eleições de 2018. Na ocasião, tanto Doria quanto Leite declararam voto em Bolsonaro, um fato que agora disseram ter sido um erro. Virgílio foi duro com Leite ao afirmar que o governador do RS não deveria ter aceitado se aliar com Bolsonaro, mas sim "ter perdido como um tucano de verdade". No Ao Ponto desta quarta-feira, a jornalista Vera Magalhães comenta os principais pontos do debate e quais são as previsões para essa disputa que começa a esquentar e que ainda terá novos capítulos até o dia da votação interna, 21 de novembro. Além disso, ela explica por que as prévias tucanas não são o único desafio do PSDB de olho no ano que vem.

Oct 20

24 min 43 sec

A onda de violência na fronteira entre o Brasil e o Paraguai tem deixado os moradores da região assustados, e as autoridades dos dois países preocupadas com a atividade do narcotráfico na região. O alerta aumentou após uma chacina na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na última semana. Entre as vítimas, duas eram estudantes brasileiras. Um dia antes, o vereador Farid Afif (DEM-MS) foi morto a tiros no lado brasileiro da divisa, em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. As polícias de ambos os países trabalham conjuntamente na investigação dos casos e na segurança da fronteira entre as duas cidades, que são separadas por apenas uma rua. A região é apontada pelas autoridades como um território de tensões entre facções criminosas, que disputam o controle de rotas de tráfico de droga e armas. A rotina de medo e a expansão das organizações criminosas na região traçam, inclusive, comparações com os cartéis mexicanos de drogas, protagonistas de outra desafiadora guerra ao narcotráfico na fronteira com os Estados Unidos. No episódio do Ao Ponto desta terça-feira, conversamos com a repórter especial Aline Ribeiro, da sucursal de São Paulo, e com o jornalista Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e autor de “A guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil”. Eles comentam a situação na fronteira do Brasil com o Paraguai, de que forma a região se conecta com o crime organizado internacional e qual a relação das facções criminosas nessa disputa.

Oct 19

28 min 16 sec

A vendedora carioca Adriana Lins, de 48 anos, ficou em casa durante a fase mais aguda da pandemia. Agora, vacinada com duas doses, ela retomou sua antiga paixão pelo descobrimento de novos destinos. E, já em setembro, deu de presente de aniversário pra filha uma viagem a Salvador. Assim como ela, milhões de brasileiros retomam, gradualmente, a rotina em aviões, hotéis e restaurantes. As receitas do setor de turismo devem ter um crescimento de quase 20% esse ano em relação a 2020, quando o setor praticamente parou. Levantamento realizado pelo Boston Consulting Group (BCG) no Brasil mostrou que 70% dos ouvidos pretendem viajar o quanto antes. Na mesma sondagem realizada há quase um ano, 76% disseram que se manteriam longe de estradas e aeroportos. E mais da metade está disposta a encarar hotéis e pousadas, o que exige atenção redobrada com as medidas de prevenção, muitas vezes negligenciadas, segundo os relatos dos próprios viajantes. A repórter Raphaela Ribas entrevistou turistas, empresários e associações do setor e contou, em reportagem publicada no domingo no GLOBO, como se dá essa retomada em todo o país. No Ao Ponto desta segunda-feira, ela conta como o setor de turismo já se beneficia do aumento do número de viajantes dentro do Brasil e de que forma a pandemia afetou a qualidade do serviço prestado. Ela também aponta os cuidados mais importantes para os viajantes, seja para cuidar da própria saúde e do bolso na hora de escolher o próximo destino.

Oct 18

20 min 22 sec

O Brasil chegou à marca de 100 milhões de pessoas que completaram o esquema vacinal contra a Covid, com dose única ou duas doses. Isso significa a imunização de mais de 47% de toda a população e de cerca de 60% dos brasileiros com mais de 18 anos. Conforme a vacinação avança no país, a tendência é inequívoca: casos, internações e mortes estão em queda progressiva. A taxa de transmissão da Covid no Brasil, medida pelo Imperial College de Londres, caiu para 0,60, a menor desde abril de 2020. Mas apesar de os números indicarem que a pandemia está em desaceleração, o vírus continua circulando. Especialistas seguem recomendando, por exemplo, o uso de máscaras, já que a quantidade de imunizados em todo o território nacional ainda não alcançou o número esperado. Os mesmos números já apresentados podem ser vistos de outra forma. Mais da metade dos brasileiros ainda não completou o esquema de imunização - e quase 40% têm mais de 18 anos. Há ainda muitas pessoas, na faixa entre 60 e 70 anos, que aguardam uma dose de reforço, sem contar a minoria que opta por não se vacinar e se torna maioria nos hospitais. Por isso, a flexibilização exige cautela. A cidade de São Paulo, por exemplo, derrubou o distanciamento nos cinemas. Também estava disposta retirar a obrigatoriedade do uso de máscaras em lugares público, mas mudou de ideia. Por isso, no Ao Ponto desta sexta-feira, o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz, analisa os caminhos para manter a pandemia sob controle, após o Brasil atingir 100 milhões de pessoas vacinadas. Ele debate o que esperar a vacinação de jovens e crianças e quais são as combinações de vacinas que estão certificadas para uso como dose de reforço. Croda ainda explica os critérios mais importantes para se discutir o fim do uso de máscaras em todo o país.

Oct 15

25 min 43 sec

O corte de R$ 565 milhões no orçamento da ciência, anunciado na semana passada pelo Congresso Nacional e feito a pedido do Ministério da Economia, foi mais um duro golpe para os pesquisadores, que observam reduções progressivas nas verbas para o setor nos últimos anos. Dessa vez, o bloqueio corresponde a 92% dos recursos para o financiamento de estudos, que serão remanejados para outros seis ministérios diferentes, deixando apenas R$ 82,5 milhões para a produção de medicamentos radiológicos, uma despesa que também ficou represada e quase gerou um colapso nesse serviço. Um dos apoiadores mais entusiasmados do presidente, o ministro Marcos Pontes reagiu ao anúncio, chamando a medida de “falta de consideração” em uma publicação no Twitter. Pontes também afirmou que o corte era "equivocado e ilógico", e disse que obteve o compromisso de recomposição dos recursos. Mas, por ora, essa garantia não existe. Do total de R$ 565 milhões retirados do orçamento para pesquisas, R$ 250 milhões dizem respeito ao chamado edital universal, que abrange as mais diferentes áreas do conhecimento. Apenas para acessar uma fração desses recursos, a fundo perdido, o CNPq recebeu 30 mil pedidos de bolsas, atualmente sob análise, e que, nesse momento, por conta dos cortes, não têm nenhuma garantia de serem oferecidas. Mas a decisão do governo também impacta pesquisas em curso, por meio de outros programas oficiais. No Ao Ponto desta quinta-feira, o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Renato Janine Ribeiro, detalha o prejuízo que essa decisão traz para as pesquisas com a participação de brasileiros e conta como a comunidade científica se mobiliza para reverter o bloqueio. Ele também analisa a crise gerada pela redução progressiva das verbas para o setor nos últimos anos.

Oct 14

24 min 3 sec

Hoje, a máquina da economia gira com o petróleo. Sua abundância é determinante para os mais diferentes segmentos. Sua escassez, por outro lado, seria motivo de pânico, mas as reservas ainda estão longe de acabar. Estados Unidos, Rússia e Arábia Saudita lideram o mercado. E países como o Brasil mantêm planos de longo prazo para seu uso e exploração. Porém, esse é um cenário que, inevitavelmente, vai mudar nos próximos anos, como resultado dos esforços mundiais para reduzir as emissões de carbono, que serão tema da conferência do clima da ONU, Glasgow, na Escócia, a partir de 31 de outubro. Na dianteira desse processo estão os países da Europa, que se propõe a neutralizar as emissões de carbono até 2050. E, esse novo cenário, o hidrogênio verde (H2V) passa a ser a grande aposta para tornar essa meta viável. Com três vezes mais energia que a gasolina, o hidrogênio é o elemento químico mais abundante em todo o universo. Caso produzido por meio de uma fonte limpa, como a energia eólica e a solar, passa a ser a chave para o movimento de descarbonização do planeta e seu desenvolvimento tecnolíogico é prioritário entre as ações para reduzir o aquecimento global. Por tais razões, o Brasil também tem no avanço do H2V relevância estratégica pelo seu elevado potencial de recursos energéticos renováveis, em especial de produção de energia eólica e solar. No Ao Ponto desta terça-feira, o professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), Nivalde de Castro, explica os maiores desafios tecnológicos para que essa nova matriz energética seja consolidada e analisa o papel que o H2V poderá ter na economia e os potenciais do Brasil nesse mercado.

Oct 13

26 min 31 sec

A relevância e a força da agricultura e da pecuária na economia brasileira já são conhecidas. Em 2020, o setor foi responsável por 20,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, e chegou a responder por 21,4% do PIB no ano anterior, antes da pandemia, quando gerou mais de R$ 1,55 trilhão. No entanto, a imagem de toda a agroindústria é penalizada por atividades ilegais. Por um lado, o desmatamento e a grilagem de terras impactam a imagem do setor pelo conflito com o meio ambiente e comunidades locais. Por outro, suspeitas de corrupção, como as reveladas na Operação Carne Fraca, também provocam desgaste. Relatório da Transparência Internacional Brasil, que analisou dados corporativos das 100 maiores empresas do país, mostrou que são necessários avanços para aperfeiçoar as boas práticas no segmento. Nesse grupo, 24 empresas de quatro áreas ligadas ao mercado de alimentos e agricultura - Açúcar e Álcool; Varejo; Alimentos e Bebidas; e Química - obtiveram nota 5,2, numa escala de zero a 10, onde 10 indica práticas totalmente compatíveis e zero, totalmente incompatíveis. Por essa razão, a Rede Brasil do Pacto Global da ONU escolheu a agroindústria para a adoção de ações coletivas, que induzem empresas a assumir compromissos de integridade. O foco está na interação com o setor público local e com as cadeias de suprimento e logística. No Ao Ponto desta segunda-feira, o engenheiro Reynaldo Goto, chefe de compliance da BRF e ex-coordenador da Plataforma de Ação contra a Corrupção da Rede Brasil do Pacto Global da ONU explica os desafios do setor para adotar boas práticas e fortalecer sua imagem internacional.

Oct 11

21 min 59 sec

Já ouviu falar em “hallyu”? Esse é o nome dado à onda cultural sul-coreana que tem ganhado cada vez mais espaço no ocidente, com sucessos no cinema, televisão, música e diversas outras áreas. A última produção do país a atrair as atenções de todos e virar um dos assuntos mais comentados nas redes sociais foi a série Round 6, da Netflix. Centrada em um jogo de sobrevivência pra lá de perturbador, a série está prestes a se tornar a mais assistida de toda a história da plataforma de streaming. O sucesso de Round 6 não deixa dúvidas de que a Coreia do Sul tem se beneficiado nos últimos anos com a exportação da própria cultura. Segundo a Fundação Coreana para Intercâmbio Cultural (Kofice), esse número aumentou 22,4% em 2019, chegando a arrecadar cerca de US$ 12,3 bilhões. E não são só os chamados k-dramas que crescem na indústria audiovisual do país. No ano passado, a Coreia do Sul também roubou os holofotes com o absoluto sucesso do filme Parasita, o grande vencedor do prêmio de melhor filme no Oscar de 2020 – e o primeiro longa de língua estrangeira a conquistar tal feito. É claro que não dá para falar de “hallyu” sem mencionar o fenômeno do k-pop, que puxa a fila da febre da indústria sul-coreana, sobretudo entre os mais jovens, com uma legião de fãs no Brasil. O país, que antes aprisionado às próprias histórias de guerras, hoje apoia a música pop e investe milhões nessa indústria do entretenimento. No Ao Ponto desta sexta-feira, a pesquisadora Daniela Mazur e a jornalista Louise Queiroga mergulham nesse mundo da cultura pop da Coreia do Sul e explicam quais as origens, as influências e o impacto dessa onda em todo o mundo.

Oct 8

26 min 53 sec

Depois de meses de negociações, a fusão entre os partidos DEM e PSL finalmente foi oficializada. A criação da nova legenda, chamada União Brasil, foi definida em convenção realizada na quarta-feira, em Brasília, e já nasce com 83 deputados, oito senadores e quatro governadores. Dessa forma, o partido pode se tornar a maior bancada da Câmara dos Deputados, mesmo com as defecções que já são esperadas no PSL, partido pelo qual o presidente se elegeu em 2018 e que deixou em novembro de 2019, após divergências públicas com o presidente Luciano Bivar. A legenda também será rica e terá o maior fundo eleitoral. Para a eleição municipal de 2020, os dois partidos somaram R$ 140 milhões. O fundo partidário também será o mais alto. Por isso, políticos de outras legendas já analisam com carinho para a chance de migrar para o União de olho na campanha de 2022. A fusão das duas legendas já deve alterar o xadrez eleitoral de 2022. A expectativa é ter de dez a 12 candidatos aos governos estaduais, segundo as estimativas do DEM. Na convenção conjunta, ficou definido que a presidência da nova sigla será do atual presidente do PSL, Luciano Bivar; o atual presidente do DEM e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, fica no cargo de secretário-geral do partido, que deve receber número 44. A aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode demorar até três meses. Porém, o partido não decidiu nada sobre a eleição de 2022 e ainda precisa resolver suas divergências internas em relação ao apoio de filiados ao Palácio do Planalto. No Ao Ponto desta quinta-feira, os jornalistas Sérgio Roxo e Eduardo Gonçalves contam como o União Brasil deve atuar em relação ao governo Bolsonaro e analisam de que forma a nova legenda movimenta as articulações para 2022.

Oct 7

24 min 17 sec

As mais de seis horas de 'apagão' de Facebook, Instagram e WhatsApp causaram transtornos que evidenciaram a dependência da população às redes sociais e ao aplicativo de mensagens. A companhia, que perdeu mais de R$ 47 bilhões em valor de mercado, explicou, na terça-feira, que o problema foi motivado por alterações de configurações de equipamentos. Essas máquinas coordenam o tráfego de informações nas instalações da empresa. Como estão interligadas, houve um efeito cascata, e as três plataformas pararam, com impacto sobre mais de 3 bilhões de pessoas. Muita gente também parou, particularmente no Brasil, onde a expressiva maioria de pequenos empreendedores que fazem negócios pela internet utiliza os serviços das empresas de Mark Zuckerberg. Porém, essa semana, a imagem do Facebook também sofreu danos que dizem respeito à forma como interfere no comportamento dos usuários, sem que os mesmos saibam como isso funciona. A engenheira da informação Frances Haugen, ex-gerente de Produto do Facebook, prestou depoimento ao Senado americano e acusou o grupo de Zuckenberg de colocar os lucros acima da segurança dos usuários e de não dedicar meios suficientes para protegê-los. Com farta documentação, sustentou que a big tech fez "escolhas desastrosas para a democracia e para segurança dos usuários, em especial de crianças". Disse ainda que a companhia usa seu algoritmo para maximizar a atração, apesar de possíveis efeitos negativos. O Facebook contestou o conteúdo do depoimento. E afirmou que está comprometido em "criar produtos melhores para os jovens e fazer todo o possível para garantir a segurança, a privacidade e o bem-estar dos usuários". No Ao Ponto desta quarta-feira, o colunista Pedro Doria explica de que forma a companhia alcançou tamanho poder de influência na sociedade. E analisa até que ponto o seu funcionamento e suas práticas estão dentro das regras do jogo, e como a própria empresa pode se tornar mais transparente.

Oct 6

23 min 19 sec

Referência no atendimento da Covid-19 no estado do Rio, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla revelou na última semana um dado alarmante: 95% das pessoas atualmente internadas não tomaram nenhuma dose da vacina que previne a contaminação e, principalmente, os casos graves da doença. Esses números atrasam a queda de óbitos e a disponibilização dos leitos da unidade para o tratamento de outras especialidades. Na semana passada, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que converteria 100 dos 420 leitos da unidade para outras funções, porém esse número poderia ser ainda maior caso a redução do número de casos avançasse fosse mais acelerada. Os dados do Ronaldo Gazollla reforçam avaliações feitas em todo o mundo, que apontam para a relação direta entre óbitos, internações e pessoas não vacinadas. Nos Estados Unidos, em agosto, a predominância de novos casos e de óbitos se deu em áreas onde há maior resistência à vacinação. No Brasil, um levantamento da plataforma de monitoramento Info Tracker, de pesquisadores da USP e Unesp, chegou à mesma conclusão. Por isso, no Ao Ponto desta terça-feira, o médico Roberto Rangel, o diretor do Hospital Ronaldo Gazolla, relata o que escuta de pacientes e familiares que optam por não se vacinar. Ele conta os motivos alegados e como o público reage às tentativas de convencimento. O gestor também analisa as diferenças entre o prognóstico de pacientes que não se vacinam e aqueles que chegam a unidade com pelo menos um dose de imunizante.

Oct 5

22 min 18 sec

A vaga deixada pelo ex-ministro Marco Aurélio Mello no Supremo Tribunal Federal (STF), em junho, ainda não foi preenchida. Já são mais de 70 dias de espera por uma decisão do Senado a respeito do nome do ex-advogado-geral da União André Mendonça, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro um dia após o decano da Corte formalizar sua aposentadoria. A indicação de Mendonça esbarra na resistência do presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que se nega a marcar a sabatina para que os colegas aprovem ou rejeitem a indicação. Esse impasse não tem apenas reflexos políticos. Deixa um acervo de processos parados e altera o curso de ações penais, como ocorreu na última semana. O exemplo mais claro de como a demora do Senado afeta os trabalhos do STF ocorreu no julgamento de ação penal envolvendo o ex-deputado André Moura. Diante de um empate em cinco a cinco em análise de um processo por peculato, o presidente Luis Fux interrompeu o julgamento à espera do 11º ministro, o que gerou controvérsia no plenário. No Ao Ponto desta segunda-feira, a repórter Mariana Muniz conta como os ministros da Corte tem acompanhado esse caso e atuado para acelerar uma definição. A colunista Bela Megale conta os bastidores das articulações de magistrados, senadores e do próprio André Mendonça para que esse impasse seja desfeito.

Oct 4

23 min 19 sec

A crise hídrica ganhou força nos últimos meses e representa também um desafio para a atividade econômica em 2022. Nesta edição do E AGORA, BRASIL?, especialistas debatem as ações para reduzir a demanda energética, ampliar a oferta no curto prazo e atenuar os impactos negativos causados pela seca prolongada. Participaram do debate: Christiano Vieira, secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia; Luiz Carlos Ciocchi, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e membro do IPCC da ONU; e Solange Srour, economista-chefe do Credit Suisse Brasil. A mediação foi de Miriam Leitão, colunista do GLOBO, e Daniel Rittner, repórter especial do Valor Econômico. O E AGORA, BRASIL? é uma realização do jornais O GLOBO e Valor Econômico, com patrocínio do Sistema Comércio através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações.

Oct 2

42 min 16 sec

Em vigor desde 1992, a atual Lei de Improbidade é discutida e provoca controvérsia há muito tempo. Estudiosos e advogados identificam falhas na legislação que resultam na punição inadequada de gestores públicos, por erros administrativos de menor gravidade. Com o novo projeto, aprovado em junho pela Câmara dos Deputados e, pelo Senado, na última quarta-feira, essa possibilidade fica restrita. Porém, a mesma proposta aprovada traz consigo inúmeros dispositivos que podem dificultar a punição de gestores públicos - e de políticos com mandato. O texto foi modificado no Senado, que revisou artigos aprovados pelos deputados que limitavam os prazos para a investigação de suspeitas de atos irregulares. Por isso, será votado novamente pela Câmara. O projeto aprovado determina que o agente só poderá responder por improbidade se for comprovado o dolo, ou seja, a intenção de cometer ações ilícitas. Muitos especialistas sustentam que comprovar a intenção é muito difícil. Porém, o que também chamou a atenção foi a inclusão de outros dispositivos que podem dificultar o combate à corrupção. O texto prevê, por exemplo, que a perda de de função pública só abrange o cargo que o agente exercia na época da irregularidade. Ainda facilita a prescrição dos atos de improbidade e reduz multas. Ao Ponto 1-10-21 No Ao Ponto desta sexta-feira. a repórter Julia Lindner e o presidente da Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais (Anafe), Lademir Gomes da Rocha, explicam quais são os pontos mais importantes e as principais controvérsias da nova Lei de Improbidade. Eles também analisam a chance de a Câmara, que voltará a analisar o tema, fazer novas concessões que agradam políticos investigados.

Oct 1

23 min 50 sec

Nas investigações sobre a atuação da Prevent Senior, alvo da CPI da Covid e do Ministério Público Federal, um dos casos sob análise é do paciente Tadeu Francisco Andrade, de 65 anos. Em depoimento à GloboNews, ele afirmou que famílias foram enganadas pela operadora. "Muitas perderam seus entes queridos por desconhecerem o que é o tratamento paliativo", denunciou. Por isso, a operadora, alvo de apurações por suspeita de ocultação de óbitos decorrentes da doença e de prescrição de remédios sem eficácia contra a Covid, também é investigada por recomendar a adoção de tratamento paliativo inadvertidamente, como forma de cortar gastos. A Prevent Senior, no entanto, nega a acusação. Sustenta que não toma decisões com base em custos e que atua dentro de parâmetros éticos. O caso foi discutido no depotimento da advogada Bruno Morato à CPI da Covid na última terça-feira. Contudo, a abordagem do assunto, movido a falas de parlamentares posteriormente consideradas incorretas por profissionais da área, levou à manifestação de entidades que realizam e estudam o cuidado paliativo, uma prática médica reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse tipo de atendimento tem o objetivo de reduzir o sofrimento e, portanto, oferecer melhor qualidade de vida a pacientes com casos irreversíveis de doenças prolongadas. No Ao Ponto desta quinta-feira, o presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ACNP), Douglas Crispim, explica em quais casos esse tipo de abordagem é recomendada e de que forma ela se diferencia - e muito - da prática atribuída à Prevent Senior durante a pandemia. O médico geriatra também analisa os desafios para o atendimento de pacientes idosos, com ou sem Covid, nas unidades de saúde do Brasil.

Sep 30

25 min 57 sec

"Nada está tão ruim que não possa piorar". Foi dessa forma que, na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro se referiu à inflação e à deterioração do cenário econômico, marcado por desemprego alto, aumento de preços, gastos públicos pressionados e crescimento abaixo das expectativas. E parece que Bolsonaro já sabia o que viria pela frente. Na terça-feira, a Petrobras anunciou o reajuste de 8,9% no valor do litro do diesel, o que deve elevar a pressão sobre outros produtos e serviços. Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que é uma prévia da inflação oficial do país, acelerou 1,14%. Essa foi a maior taxa registrada para o mês desde o início do Plano Real. Com esse resultado, a inflação acumula alta de 10,05% nos últimos 12 meses, quase o dobro do teto da meta estabelecida para 2021, de 5,25%. Os maiores vilões para os reajustes são os combustíveis e a energia. Porém, esses dois preços afetam toda a cadeia produtiva, também influenciada pelo dólar e pelo cenário internacional. Carne, café, batata, frango, frutas e leite estão cada vez mais caros. Os reajustes nos serviços, como os restaurantes e os salões de beleza, também estão no radar. Na verdade, de 367 itens que compõem o IPCA, 253 tiveram alta nessa última prévia. E diante desse cenário, o Banco Central, que tem o mandato pra controlar a inflação, precisa elevar os juros, que alcançaram 6,25% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Além da atuação do BC, o próprio governo também pode atuar, seja por políticas que fortaleçam o Real ou por medidas que tenham impacto em determinados setores da economia. Porém, todos esses antídotos têm efeitos colaterais, que precisam ser observados com atenção. No Ao Ponto desta quarta-feira, a economista Maria Andréia Parente, especialista em inflação e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), analisa o cenário de preços e projeta a situação para os próximos meses. Ela também explora o arsenal de medidas para combater a inflação, bem como os riscos associados a cada uma dessas ações.

Sep 29

26 min 33 sec

A vitória do Partido Social-Democrata (SPD) nas eleições gerais da Alemanha, que ocorreram no último domingo, já marca o fim da Era Merkel, após 16 anos de governo. No entanto, a popular primeira-ministra ainda deve ficar mais algumas semanas no cargo. A disputa teve o resultado mais fragmentado da história do país no pós-Segunda Guerra e, por isso, os alemães ainda terão que aguardar algumas semanas para saberem, de fato, quem ocupará a cadeira de Merkel. O representante dos sociais-democratas, o atual ministro das Finanças e vice-chanceler alemão Olaf Scholz, negocia a formação de uma coalizão que garanta a maioria no Parlamento alemão. Scholz busca aliança com os Verdes e os liberais, naquela que deve ser a primeira coalizão tripartite da Alemanha desde 1950. Mas nem mesmo a sua liderança está assegurada. Caso o social democrata não consiga formam uma coalizão, Armin Laschet, da União Democrata Cristã, de Merkel, que ficou em segundo lugar, pode liderar a principal economia da Europa. As negociações em busca de um consenso devem se prolongar até o Natal. Até lá, Angela Merkel continua no poder e pode se tornar a pessoa que mais tempo ficou no cargo durante todo o período democrático do país, superando, inclusive, o mentor Helmut Kohl. Mesmo com a disputa aberta, o mundo tem ao menos uma certeza: Tanto um governo social democrata quanto um conservador não pretendem dar uma guinada na política alemã. E quem perde com isso é o governo de Jair Bolsonaro. No atual estágio das negociações, o partido Verde deve ficar com a ministério de Relações Exteriores, o que aumentará a pressão sobre políticas que desvalorizam a proteção ambiental. No Ao Ponto desta terça-feira, Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, explica o que pode se esperar do substituto de Angela Merkel e por qual razão, embora a primeira-ministra tenha alta popularidade, seu partido foi derrotado nas urnas.

Sep 28

25 min 39 sec

Após o adiamento da apresentação do relatório final pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI da Covid ganhou mais tempo para avançar em suas principais linhas de investigação. Em uma frente, os senadores apuram a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, que é alvo de suspeitas relacionadas à intermediação do contrato pela Precisa Medicamentos. Em outra, analisam negociações entre servidores da diretoria de Logística da Saúde e prestadores de serviços de distribuição e armazenamento do ministério. Há ainda a análise sobre a atuação da operadora de saúde Prevent Senior, que admitiu mudar o prontuário de pacientes que receberam cloroquina e morreram de Covid. Nessas três linhas, embora já exista farto material de depoimentos e quebras de sigilo, a CPI ainda não respondeu a todas as perguntas. E na avaliação do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), integrante do colegiado que acompanha de perto os desdobramentos dos casos, nenhum dia de prazo pode ser desperdiçado para fortalecer o relatório final. No Ao Ponto desta segunda-feira (27), o senador Alessandro Vieira analisa, ponto a ponto, os achados mais importantes até aqui, como a atuação decisiva de lobistas com influência junto a pessoas próximas ao governo para o avanço de negociações irregulares do Ministério da Saúde. Ele também avalia o desafio para estabelecer conexões entre políticos e os principais investigados e aponta em que direção os trabalhos da comissão deveriam, em sua opinião, seguir nessa reta final. "Nós ainda temos que ouvir alguns agentes que são relevantes nesse contato entre lobistas, corruptores e autoridades. Nós temos figuras que, claramente, se encaixam nesse perfil", afirmou o parlamentar.

Sep 27

27 min 13 sec

As mensagens de áudio enviadas à família por Lenilda dos Santos, a técnica de enfermagem que morreu sem comida e bebida, no deserto do Novo México, após ser deixada para trás pelo grupo de imigrantes ilegais do qual participava, chocou o país. O corpo da brasileira, encontrado em 15 de agosto, foi liberado na quinta-feira (23) pelas autoridades americanas. Da mesma forma que ela, milhares de pessoas tentam a sorte na perigosa empreitada para ingressar nos Estados Unidos. Os brasileiros, via de regra, tentam driblar as dificuldades econômicas. Hondurenhos ou salvadorenhos fogem das gangues. Os haitianos fogem de tudo: da miséria, do caos político e dos efeitos dramáticos de terremotos e furacões. Mesmo assim, eles também são barrados na fronteira. A crise de imigração na fronteira sul dos Estados Unidos vem de muito tempo. A diferença, agora, é que muita gente tem sido atraída pela falsa promessa de que está mais fácil entrar ilegalmente nos Estados Unidos após o fim da Era Trump. Com isso, o volume de imigrantes ilegais barrados e deportados só aumenta. Entre outubro de 2020 e agosto deste ano, mais de 46 mil brasileiros foram barrados, seis vezes mais do que o registrado em um um intervalo semelhante no ano anterior. E, nesta semana, milhares de pessoas de outras nacionalidades seguiam acampadas em um dos pontos mais críticos na fronteira: a ponte que liga Ciudad Acuña, no México, a Del Río, no estado americano do Texas. No Ao Ponto desta sexta-feira (24), a pesquisadora e professora da Escola de Educação de Harvard Gabrielle Oliveira explica as razões para que a crise de imigração se agrave, mesmo após o fim da era Trump, e relata o clima entre imigrantes e agentes de fronteira. O colunista Guga Chacra analisa os desdobramentos da situação para o governo Biden.

Sep 24

26 min 4 sec

Mesmo com o avanço da vacinação contra a Covid-19, com reflexos positivos no Brasil e no mundo, o chamado “tratamento precoce” segue presente no noticiário. Apesar da farta literatura científica contrária ao uso de hidroxicloroquina, o principal item do chamado "kit Covid", o presidente Jair Bolsonaro resolveu levar a defesa desse suposto tratamento para seu discurso na Assembleia Geral da ONU. Mas o uso da cloroquina também voltou aos holofotes pelo avanço das investigações sobre a atuação da Prevent Senior na pandemia, e o uso indiscriminado de medicamentos não recomendados pela operadora de saúde para tratar da doença. Por isso, os médicos seguem analisando os dados já levantados sobre a cloroquina. A última revisão foi publicada esta semana pelo Jornal Brasileiro de Pneumologia. Um grupo de quatro médicos brasileiros fez uma revisão sistemática de ensaios clínicos que compararam pacientes que receberam hidroxicloroquina como profilaxia ou tratamento de casos leves e pacientes que receberam placebo. De um universo de 1.376 estudos, nove foram levados em consideração por atender os critérios determinados para essa análise. O médico Alexandre Naime Barbosa, membro do Comitê de Monitoramento da Covid da Associação Médica Brasileira e chefe da infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é um dos participantes dessa avaliação. Segundo ele, não houve diferença entre o uso de placebo e o de cloroquina. "Infelizmente, essa meta-análise demonstrou que a cloroquina não ofereceu nenhum benefício para reduzir a hospitalização e nem reduzir o número de óbitos". No Ao Ponto desta quinta-feira, o médico explica os detalhes dessa análise dos estudos científicos e comenta as revelações da CPI da Covid sobre a atuação da Prevent Senior para a contabilização de óbitos de pacientes internados com a doença.

Sep 23

23 min 22 sec

A crise na chinesa Evergrande, a segunda maior incorporadora imobiliária do país asiático, causa reflexos na economia global. A empresa acumula uma dívida de US$ 300 bilhões, e cerca de US$ 83 bilhões desse montante devem ser pagos até esta quinta-feira (23). A preocupação é com o risco de um calote gigantesco, o que já foi motivo de protestos na China e derrubou bolsas de valores ao redor do mundo. O caso lembra o que aconteceu em 2008, quando o banco americano Lehman Brothers quebrou e desencadeou uma das maiores crises financeiras da História. Os problemas com a Evergrande não afetam somente os negócios na Bolsa, mas também atingem economias emergentes. É o caso do Brasil, que depende das exportações para a China, que só nos primeiros oito meses do ano somaram US$ 64 bilhões. Isso é três vezes mais do que o Brasil exportou para os Estados Unidos, segundo maior destino das commodities brasileiras. Além disso, o país asiático foi o destino de 63% do minério de ferro brasileiro para exportação nesse mesmo período. O produto deverá ser o mais atingido por uma possível crise no mercado imobiliário. No Ao Ponto desta quarta-feira (22), a repórter Stephanie Tondo conta o que o governo chinês tem feito para a contenção desse temido colapso. O economista-chefe da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo, explica como o desenrolar dessa crise pode comprometer o Brasil, já fragilizado por tensões políticas, e quais são os desfechos possíveis dessa história.

Sep 22

26 min 27 sec

No final de agosto, o último soldado americano se retirava do Afeganistão. Foram 20 anos de guerra contra o Talibã, que retomou o controle de Cabul antes mesmo do fim da missão americana no país. Na ocasião, o presidente Joe Biden indicou que a saída fazia parte de um movimento estratégico ainda maior, com a pretensão de mudar o rumo da atuação militar da maior potência bélica do planeta.  E a mais recente aliança militar do país com Reino Unido e Austrália diz muito sobre o futuro das operações dos Estados Unidos ao redor do mundo. As três nações se uniram para atuar no Pacífico Sul, ainda mais longe que o Oriente Médio e muito mais perto da China. A China, naturalmente, ficou contrariada. Porém, o desgaste se estende aos aliados militares mais importantes dos Estados Unidos. A Aukus, um acrônimo formado pelas iniciais em inglês dos três países, surpreendeu, especialmente, a França. Como parte da aliança, os governos britânico e americano vão transferir para a Austrália tecnologia para a construção de submarinos movidos a energia nuclear, mais rápidos e modernos. Com isso, porém, a Austrália rompeu um contrato bilionário para a compra de uma frota de submarinos convencionais franceses, o que provocou uma crise diplomática entre Paris e Washington. O governo francês tomou uma atitude grave e chamou para consultas seus embaixadores nos Estados Unidos e na Austrália. No Ao Ponto desta terça-feira (21), o professor da PUC-MG Eugênio Diniz, ex-presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais, analisa os detalhes e os efeitos dessa nova aliança militar. Ele também avalia a nova abordagem geopolítica do governo Joe Biden e adverte para a falta de clareza em suas ações.

Sep 21

22 min 59 sec

“Nasci numa família de classe média, bem comportada. Me sentia muito bem, muito feliz dentro da família. Nasci numa casa com quintal longo, largo, cheio de frutas e passarinhos cantando”. Foi assim que Paulo Freire descreveu os primeiros anos de sua infância, no Recife, em depoimento gravado em 1985 pelo Instituto de Artes e a Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Antes dos 10 anos, no entanto, sua família foi impactada pela crise de 1929. E as experiências pessoais daquele que se tornaria o maior educador brasileiro perderam um pouco do brilho de antes. A fome bateu na porta de sua casa. Freire dizia que isso foi importante para sua formação. Porém, ao lembrar o centenário do patrono da educação no Brasil, é possível concluir que essa e outras vivências tiveram impacto valioso também para a toda a sociedade. Nascido em 19 de setembro de 1921. Paulo Freire escolheu a cultura do diálogo como parte de sua filosofia, que vai muito além de seu método de alfabetização, focado nos adultos e que teve a primeira experiência em 1963, na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte. Depois que Freire ofereceu letramento a 300 trabalhadores em 40 horas de estudo, o Brasil derrubou a taxa de analfabetismo de 40% para 6,6%. E o número médio de anos de escola do brasileiro adulto passou de 2,7 para 11 anos. Mas nem por isso o centenário do patrono da educação brasileira será comemorado pelo Ministério da Educação (MEC). Pelo contrário, hoje, Paulo Freire é símbolo da guerra cultural estimulada pelo presidente Jair Bolsonaro. No Ao Ponto desta segunda-feira (20), o educador e pesquisador Fábio Campos, da New York University, analisa o legado de Paulo Freire e a importância de seus ensinamentos nos dias de hoje.

Sep 20

26 min 35 sec

A vitória no campeonato mundial de surfe deste ano foi especial para Gabriel Medina. O brasileiro chegou ao tricampeonato depois de vencer o compatriota Filipe Toledo em Trestles, na Califórnia (EUA). Com os títulos conquistados em 2014 e 2018, ele se igualou a três lendas do surfe: Tom Curren, Andy Irons e Mick Fanning. Aos 27 anos, porém, Medina ainda está longe de encerrar sua trajetória na elite mundial do esporte. Segundo o próprio surfista, este foi o ano em que se sentiu “mais completo”. Por isso, ninguém duvida que Medina pode superar esse trio e chegar mais perto do americano Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial. Nascido na cidade de Maresias, no Litoral Norte de São Paulo, Medina foi o primeiro brasileiro campeão mundial de surfe, aos 20 anos. Numa entrevista ao GLOBO, publicada na quarta-feira (15), ele contou que sempre teve “o sonho de ser três vezes campeão”. Apesar de ter caído na semifinal da Olimpíada de Tóquio, o paulista considera 2021 como o seu melhor ano em resultados. E uma das principais mudanças está fora do mar: casou com a modelo Yasmin Brunet e trocou de treinador. O australiano Andy King chegou neste ano para substituir o brasileiro Charles Saldanha, padrasto do atleta. O rompimento com a família, aliás, é uma das polêmicas fizeram parte de sua temporada: em agosto, Medina foi impedido de participar da última etapa do Circuito Mundial porque não havia se vacinado contra a Covid-19. O evento acabou cancelado, o que não evitou as críticas dentro e fora do mundo do surfe. No Ao Ponto desta sexta-feira (17), o repórter Renato de Alexandrino avalia as chances de Medina superar nomes que marcaram gerações de surfistas em todo o mundo e analisa as controvérsias dessa temporada, como a sua alegada falta de tempo para se vacinar contra a Covid.

Sep 17

26 min 6 sec