Minuto de Economia

Gesner Oliveira

Podcast by Gesner Oliveira

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A recuperação dos serviços continua a mais lenta dentre os setores da economia. A pesquisa Mensal dos Serviços de agosto registrou alta 2,9% acima do esperado pelo mercado (2,3%) e da projeção da GO Associados, 2,5%. Na comparação com agosto de 2019, o setor de serviços caiu 10%. A recuperação no setor de serviços é importante para o mercado de trabalho, pois o setor representa 47,4% do trabalho formal segundo dados do Caged. Apesar de não estar mais no pico de casos e mortes por Covid 19 não é possível afirmar que o Brasil controlou a pandemia mesmo com a flexibilização do isolamento. Serviços prestados às famílias, principalmente os de alojamento e alimentação, são os que mais sofrem por este medo do vírus. Apesar de ter subido 33,3% em agosto, ainda está 43,8% abaixo do registrado no ano anterior. No índice acumulado do ano, a queda é de 9% e de 5,3% nos últimos 12 meses. Comparado ao mês anterior, quatro dos cinco setores de serviços cresceram; apenas serviços de comunicação caíram (-1,4%). O Índice de Atividade de Turismo mostra também o quanto falta para a recuperação: o índice registrou uma queda acumulada de 68% em março e abril. Mesmo com crescimento de 63,4% entre maio e agosto o setor ainda está 47,7% abaixo do nível de fevereiro. O receio de sair para jantar fora ou ir a um evento ainda faz com que muitas pessoas prefiram ficar em casa e consumir produtos em vez de serviços.

Oct 2020

1 min 40 sec

A PANDEMIA escancarou problema da desigualdade no Brasil e ao mesmo tempo emplodiu as contas públicas que já não eram equilibradas e se tornaram mais desequilibradas depois da crise uma vez que a arrecadado caiu fortemente e os gastos com a saúde aumentaram exponencialmente. Diante disso é fundamental reformar, ampliar e melhorar os programas sociais do Brasil. Daí a necessidade de um amplo e abragente programa de renda mínima. Os desafios são enormes pois é preciso que os programas criem portas de saída que já era um problema do bolsa família para não tornar a pessoa eternamente dependente e sim para abrir espaço no mercado de trabalho, ser incorporada no mercado de trabalho. É preciso encorporar novos beneficiários no mercado informal e é preciso encontrar fontes eficientes de financiamento. Não adianta criar um imposto que vai reduzir a competetividsde da economia para financiar esses programas, pq aí não há crescimento e consequentemente não há oportunidade de emprego. Tudo isso deve ser feito em uma conjuntura de crise econômica e polarização política. É um enorme desafio.

Jul 2020

1 min 46 sec

O Brasil apresenta atraso histórico no saneamento, mesmo em relação a países de renda per capita similar. Conforme mostra o Quadro 1, cerca de metade da população brasileira não tem acesso a rede de esgoto e 16,7% da população não tem acesso à água tratada. Menos da metade do esgoto gerado é tratado, acarretando a poluição dos lagos, rios e da orla marítima. Em 2018, as perdas de água na distribuição foram de 38,5%, equivalentes em valores monetários a R$12,3 bilhões, próximo do investimento em saneamento no mesmo ano, de R$13,2 bilhões. O investimento em saneamento evita a proliferação de doenças, representando menos gastos com a saúde. Cidades com índice de coleta de esgoto entre 90% e 100% têm cerca de um terço a menos de internações hospitalares por ano se comparadas a cidade com o índice de coleta de esgoto entre 0% e 10%. Considerando as dez melhores e as dez piores cidades em indicadores de saneamento, os gastos com saúde por doenças como diarreia, dengue e leptospirose são quase cinco vezes maiores nas cidades piores na classificação por qualidade de saneamento. Os ganhos com o acesso ao saneamento podem se estender também a preservação do meio ambiente. A poluição de rios poderia ser menor com a universalização do acesso ao esgoto ou com a coleta e o destino adequado para os resíduos sólidos. Saneamento e educação... Segundo pesquisa do instituto Trata Brasil , a universalização do saneamento reduziria em 6,8% o atraso escolar. Além disso, na comparação de desempenho dos estudantes com banheiro em casa é 10% superior aos estudantes sem banheiro. Como o investimento é insuficiente na atualidade... O investimento em saneamento hoje é insuficiente para que o Brasil alcance indicadores razoáveis de saneamento nos próximos anos. Em 2018 houve um investimento de R$11 bilhões a menos daquilo que seria necessário para o cumprimento das metas do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). No atual ritmo, o Brasil só atinge a universalização deste serviço básico em meados do século XXI. O investimento em infraestrutura, em particular no saneamento, é fundamental para que a economia consiga se recuperar. Segundo o Instituto Trata Brasil, entre os anos de 2004 e 2016 um investimento médio de R$11,2 bilhões em saneamento resultou na geração de 141 mil empregos e em uma renda adicional de R$13,6 bilhões. Para cada R$1 investido foi gerada uma renda de R$1,22 na economia. Além disso, a universalização do saneamento entre 2016 e 2036 geraria um ganho equivalente ao ganho da reforma da previdência (cerca de R$1 trilhão). O novo marco regulatório do saneamento (Projeto de Lei nº 4.162/2019) é um passo importante para combater o atraso do setor ao: i. Reduzir o risco regulatório, mediante maior uniformização das regras através de referências regulatórias emitidas pela Agência Nacional de Águas (ANA); ii. Aumentar a competição pelo mercado através da extinção gradual dos contratos de programa e licitação das concessões ao final dos períodos contratuais; iii. Induzir a maior eficiência operacional mediante estabelecimento de metas claras de desempenho; iv. Promover investimento em saneamento tem forte efeito de encadeamento, estimulando a construção civil e o emprego; v. Estimular o investimento em saneamento deve ocorrer em todas as regiões do país, incentivando maior desenvolvimento regional. Lei não faz milagre... Embora a aprovação do novo marco regulatório do saneamento seja fundamental, não se deve esperar uma mudança súbita meramente pelo novo ato normativo. A implementação adequada da nova legislação será fundamental, especialmente no tocante à uniformização da regulação do setor por parte da ANA, a elaboração de bons e novos projetos, entre outros quesitos essenciais para o novo marco funcionar.

Jun 2020

4 min 18 sec

A gravidade da crise levou a algumas projeções de queda de mais de dois dígitos no PIB. A mediana das expectativas do boletim Focus para o PIB em 2020 caiu por 18 semanas consecutivas. Hoje, contudo, houve uma ligeira reversão com uma projeção de queda de 6,5%. O mercado iniciou o ano otimista, projetando um aumento de até 2,3% para o PIB. À medida que a pandemia do novo coronavírus avançou da Ásia para a Europa e chegou no Brasil as expectativas otimistas se desfizeram e deram lugar a projeções muito divergentes, chegando a sugerir reduções de dois dígitos no PIB. Alguns dados do início e do pico de isolamento social já são conhecidos, como o IBC-Br de abril e o resultado do PIB do primeiro trimestre. Agora a mediana das expectativas para o PIB coincide com o cenário base da GO Associados de -6,5% no ano. Por que uma parcela do mercado parece ter exagerado nas projeções pessimistas? - Certo ou errado do ponto de vista sanitário, a verdade é que o isolamento social no Brasil tem sido apenas parcial, uma espécie de quarentena prolongada, mas muito branda. - Alguns segmentos conseguiram manter a atividade, possível pela economia digital e pelo crescimento de segmentos cuja expansão está associada à própria pandemia (mat. de limpeza, alimentos, p.e.) - A transferência de renda através do coronavoucher ajudou. A maior queda do PIB no ano deve ocorrer no segundo trimestre, puxada principalmente pelo mês de abril, quando as medidas de isolamento social foram mais intensas. A partir de maio alguns estados começaram a reabrir e permitir o funcionamento de atividades não essenciais. Apesar disso, a incerteza ainda predomina, principalmente com o medo de uma segunda onda de casos em alguns lugares do mundo, tornando os cenários ainda incertos, mas um pouco mais convergentes.

Jun 2020

3 min 46 sec

No plano doméstico: i. Votação do Novo Marco Legal do Saneamento: o Projeto de Lei (PL) 4.162/2019 deve ser votado na próxima quarta feira segundo o relator do projeto Tasso Jereissati. ii. Inflação: o Copom reduziu a taxa de juros em 0,75 p.p. para 2,25% na última semana pelo cenário recessivo. O IBC br, por exemplo, caiu 9,73% em maio . O IPCA 15 a ser divulgado na próxima quinta, 25/06, deve indicar a continuidade do cenário deflacionário. A projeção da GO Associados é de uma deflação de 0,13% iii. Ata do Copom: a ser divulgada na próxima terça, 23/06, deve dar si nais mais claros sobre se o juro ainda cairá mais em 2020. iv. Tensão institucional: chamarão atenção os desdobramentos da prisão de Fabr í cio Queiroz. Além disso, os embates entre Executivo e os outros poderes devem continuar na próxima semana. Destaque s ficam com a continuidade do inquérito das fake News pelo STF, o julgamento pelo TSE da chapa Bolsonaro Mourão e a votação do PL 2630/20, o “PL das Fake News” no Senado. No plano externo: i. Dados de junho para a economia mundial: na noite de segunda e manhã de terça serão divulgados prévias dos Índices de Compras dos Gerentes (PMIs) para algumas economias centrais como a Zona do Euro e os Estados Unidos. Importante observar a velocidade da re cuperação observada nessas economias em processo de reabertura. O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana... X’

Jun 2020

3 min 7 sec

O Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Médio Porte (PRONAMPE) foi sancionado um mês após a sua aprovação pelo Congresso Nacional, em 18 de maio, pela lei nº13.999/2020. Agora, quase um mês após a sanção presidencial, o Secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, informou que irá comunicar por carta as empresas aptas a buscarem o crédito emergencial. A medida é mais uma tentativa do governo federal de fazer o crédito chegar as empresas menores, onde os canais de financiamento também são menores. Os relatos dramáticos dos pequenos empresários na tentativa de conseguir crédito podem adiar ou mesmo frustrar as expectativas de recuperação da economia no curto prazo. Empresas menores em geral apresentam menor capital de giro e capital para aguentar uma crise como a do novo coronavírus. A obrigatoriedade de manutenção do quadro de funcionários estático é um problema para que as empresas sejam encorajadas a buscar o crédito. O ideal seria retirar essa amarra, o empresário não demite por vontade, apenas por necessidade. Se as medidas anticrise forem bem aplicadas, o emprego certamente se manterá, não pela força de decreto, mas pelo próprio arranjo do mercado.

Jun 2020

3 min 39 sec

O auxílio emergencial previsto para três meses (abril, maio e junho), pode ser prorrogado até agosto. O Ministro Paulo Guedes admitiu esta possibilidade. Entretanto, não ficou claro se haverá redução no valor de R$ 600 ou não. Na última sexta-feira o secretário especial Waldery Rodrigues afirmou que o governo pretende oferecer duas parcelas de R$300. O aumento desses gastos com o auxílio precisa de uma contrapartida, pois a situação fiscal é crítica com projeção de déficit primário acima de R$ 650 bilhões.

Jun 2020

4 min 29 sec

O BNDES tem tido papel importante na estruturação de parcerias em saneamento. CEDAE e Casal são bons exemplos disso. A opção de modelagens de parcerias em detrimento de privatizações clássicas mostra que esse caminho pragmático parece ser mais eficiente. Isso porque o equacionamento de passivos das empresas estatais e as resistências corporativas acabam colocando obstáculos intransponíveis em um momento no qual a população precisa urgente de boa infraestrutura social. Foi disponibilizado para consulta pública, o edital de concessão da CEDAE, que estará disponível até o dia 8 de julho. O Estado do Rio de Janeiro entrou em Regime de Recuperação Fiscal em 2017. A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro – CEDAE, foi dada como garantia de empréstimo contraído junto ao Banco BNP Paribas para pagamento de salários atrasados do funcionalismo público estadual. O início da consulta pública ocorreu três dias após o Conselho de Supervisão Fiscal do Rio de Janeiro emitir um relatório prevendo que não há tempo hábil para a venda da CEDAE. A Companhia pode ser federalizada, uma vez que a União deverá honrar a dívida do Estado junto ao Banco BNP Paribas que vence em novembro. A concessão pode ajudar a ajustar a situação crítica das contas públicas. Além de atrair investimentos privados em um momento delicado da economia brasileira. A estimativa é que sejam gerados mais de 46 mil empregos ao longo do período da concessão, envolvendo investimentos da ordem de R$ 33,5 bilhões. O investimento neste setor combate duas crises com a mesma tacada: a sanitária, fornecendo água para lavar as mãos; e a econômica, estimulando o emprego e a produção. Finalmente o saneamento tem ganho mais destaque na política pública brasileira. Independentemente do problema fiscal do Estado do Rio de Janeiro, o projeto é importante para melhorar uma infraestrutura essencial para o bem-estrar da população.

Jun 2020

3 min 18 sec

O maior manancial do Brasil é a nossa incompetência. As perdas de água no Brasil são tão elevadas, que se nós reduzirmos a níveis mais aceitáveis, pode haver um aumento da oferta de água sem necessidade de investimentos muito maiores. Estudo do Instituto Trata Brasil apurou que em 2018 o Brasil perdeu em média 38,5% do total de água produzida. Isto equivale a uma perda de R$12 bilhões em faturamento, valor próximo àquele investido em água e esgoto no mesmo ano. Os dados de perdas no Brasil, ficam ainda mais absurdos quando confrontados com a informação de que cerca de 12,7 milhões de pessoas nas regiões urbanas não têm acesso a água. E esses dados tornam-se dramáticos quando o Brasil passa por uma pandemia onde a recomendação sanitária mais simples é de que as pessoas devem lavar bem as mãos para se proteger. Entre 2015 e 2018 o índice de perdas passou de 36,7% para 38,5%. O estado de Roraima perde 73% da água potável. O melhor estado do Brasil apresenta perda superior à países como México (24,1%), Reino Unido (20,6%) e China (20,5%) e Dinamarca (6,9%). Reduzir perdas precisa ser uma prioridade. Ganham os consumidores com impactos positivos nas contas de água, ganham as empresas que evitam prejuízos e ganha a natureza. É preciso lembrar que as perdas se dividem e comerciais: As perdas físicas decorrem de vazamentos e redes antigas; As perdas comerciais decorrem de uma série de fatores, como subfaturamento, submedição em consequência de hidrômetros antigos, adulteração dos hidrômetros e furtos de água. Daí a importância do novo marco regulatório do saneamento, que está no Senado e que precisa ser aprovado com maior urgência. Esse novo marco tem três contribuições: i. Boa regulação, que leva a uma indução de redução de perdas; ii. Maior competição que faz com que as tratadoras de água e esgoto tenham um desempenho mais eficiente; iii. Estabelecimento de metas contratuais claras para melhoria de desempenho. Em relação à redução de perdas de água, o novo marco representa um avanço, conforme assinalado pelo estudo citado do Trata Brasil: • foi adicionado ao Artigo 2º, que trata dos princípios fundamentais serviços públicos de saneamento básico, o tópico de redução e controle das perdas de água como um dos princípios do serviço de saneamento. • Criou-se o Artigo 10-A que expressa cláusulas essenciais, que deverão estar presentes em cada Contrato, determinando que esses devem conter metas de redução de perdas na distribuição de água tratada. • Adicionou-se que é condição para a validade dos contratos a inclusão de metas de redução progressiva e controle de perdas na distribuição de água tratada. • Devem existir metas quantitativas de redução de perdas nos contratos, todavia, não se especifica um número adequado para este quesito. O cumprimento dessas metas deverá ser verificado anualmente pela agência reguladora e, em caso do não atingimento das metas, deverá ser iniciado procedimento administrativo pela agência com o objetivo de avaliar as ações a serem adotadas, incluídas medidas sancionatórias, com eventual declaração de caducidade da concessão. • Adiciona que, como aspectos essenciais das funções das entidades reguladoras, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, inclui-se a criação de diretrizes para redução progressiva e controle das perdas de água. • Inclui como diretriz a ser observada pela União a redução progressiva e controle das perdas de água. A aprovação do novo marco regulatório do saneamento deveria constituir uma das prioridades neste momento.

Jun 2020

4 min 8 sec

A produção industrial caiu 18,8% no mês de abril, a maior queda desde o início da série história em 2002. O resultado é reflexo da pandemia do novo coronavírus. Alguns indicadores preliminares davam pistas sobre esse resultado . A projeção da GO Associados era de uma queda de 19%. Entretanto o dado é melhor do que a expectativa do mercado, de 30%. Apesar de melhor que o esperado pelo mercado, a produção da indústria brasileira hoje se situa em patamar muito inferior ao observado no pré crise. A indústria produziu em abril 26% menos que em fevereiro, a produção de bens de capital caiu pela metade e a produção de bens duráveis recuou quase 85%! Os meses de abril e maio devem ser os piores para a economia brasileira em 2020. Em junho, a reabertura gradual no Brasil, na Europa e nos EUA deve dar início à recuperação econômica. A questão essencial passa a ser a velocidade de recuperação da economia. Na China, maior parceiro comercial do Brasil, onde o pico da pandemia e do isolamento social foi no mês de fevereiro, a produção industrial caiu 13,5%, os dois meses seguintes demonstram uma recuperação do setor em V. As manifestações antiracistas pelo mundo não afetam os mercados. A situação política no Brasil desa nuviou um pouco. O mercado financeiro reflete esse clim a. D epois de baixar para menos de 70 mil pontos no final de março, o Ibovespa ultrapassou os 90 mil pontos nesta semana e o dólar está cotado abaixo dos R$5,10. Enquanto a recuperação da economia real é incerta e lenta, as expectativas do mercado financeiro querem crer em uma retomada em V.

Jun 2020

2 min 44 sec

O que já era um problema antes da pandemia, ficou ainda mais evidente: as lacunas vergonhosas do saneamento brasileiro. As medidas sanitárias para evitar o contágio do novo coronavírus envolvem um hábito razoavelmente simples, como lavar as mãos. Porém, o Brasil tem um problema crônico para que isso seja cumprido: a falta de acesso à água tratada. O maior acesso a saneamento reduz epidemias e gastos com saúde. Segundo o Instituto Trata Brasil, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada. E apenas 22 dos 100 maiores municípios do brasil fornecem água potável para 100% da população. Além disso, as perdas no sistema de distribuição atingem uma média de 38,45%. A reação inicial do sistema político diante da pandemia foi insatisfatória. Em vez de aprofundar e acelerar as reformas, projetos importantes, como o novo marco regulatório do saneamento, deram espaço a medidas meramente emergenciais. É positivo neste sentido que governo e Congresso priorizem a votação da nova lei do saneamento. O novo marco regulatório não vai fazer milagre e nem é uma panaceia. Mas pode ajudar em vários pontos: - Criando padrões uniformes e técnicos para a redução do risco regulatório através da Agência Nacional de Águas (ANA); - Gerando competição pelos mercados mediante a extinção planejada dos contratos de programa; - Estabelecendo incentivos para aumento da eficiência do sistema; - Estimulando a sustentabilidade e mecanismos de economia circular mediante estímulos à redução das perdas, água de reuso, geração de energia, entre outros. - Criando mecanismos de sustentabilidade financeira.

Jun 2020

3 min 46 sec

As expectativas do mercado a respeito da volta da economia correspondem ao formato do logo da Nike e não à letra V. Segundo as projeções da Pesquisa Focus do Banco Central, o PIB só retornaria ao nível de 2019 em 2023. A mediana das expectativas para o PIB de 2020 caiu pela 16ª semana consecutiva, para -6,25%. A pesquisa ainda não terá captado inteiramente a divulgação do PIB do primeiro trimestre, de -1,5%. O número se aproxima da projeção da GO Associados, de -6,5% para este ano. O resultado do primeiro trimestre foi apenas um primeiro sinal, pois as medidas de isolamento social começaram em meados de março. A maior queda deverá ocorrer será no segundo trimestre. A Equipe da GO Associados projeta uma queda de 11,7% para este período. A situação política no Brasil explica parte deste cenário de recuperação lenta. Isso porque inibe o investimento, essencial para o crescimento da produção e do emprego, aumentando o risco regulatório e atrasando a tramitação de reformas fundamentais para a economia.

Jun 2020

1 min 52 sec

Conforme esperado, o Produto Interno Bruto caiu 1,5% no primeiro trimestre de 2020. O impacto da pandemia na economia ocorreu a partir de março. Antes do novo coronavírus a economia brasileira estava se recuperando lentamente da crise de 2015/16. Considerando a taxa de crescimento de janeiro/ fevereiro e projetando para o ano, obtém-se uma expansão de 1,7%. Os analistas eram ainda mais otimistas. O último boletim Focus de fevereiro indicava um crescimento de 2,17%. Mas a queda ocorreu a partir de meados de março com as medidas de isolamento social que impactaram todos os segmentos da economia. A queda está de acordo com o cenário base projetado pela GO Associados, o que mantém a expectativa de uma queda de 6,5% para 2020. Apenas duas atividades cresceram no primeiro trimestre se comparado ao último semestre de 2019: o agropecuário (0,6%) e . atividades imobiliárias (0,4%). A queda do primeiro trimestre foi apenas uma amostra do tamanho da recessão de 2020. O grande tombo será no segundo trimestre, quando as medidas de isolamento social se estenderam por pelo menos dois meses (abril e maio) com possibilidade de se estenderem mais. Um destaque positivo do resultado é que a taxa de investimento no primeiro trimestre de 2020 foi superior a taxa no mesmo período do ano passado. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 3,7% após uma queda o último trimestre do ano passado. A maior recessão da economia brasileira para 2020 está dada. Mas a condução da crise atual determinará a velocidade da recuperação: i. A conciliação de medidas sanitárias com a retomada das atividades; ii. O efeito do pacote anticrise, especialmente crédito e renda; iii. Formulação de um plano bem articulado de recuperação da economia. E naturalmente se não houver uma deterioração ainda maior do cenário internacional.

Jun 2020

3 min 42 sec

O drama do desemprego que já vinha sendo sentido por todos pode agora ser traduzido em números: segundo o IBGE divulgou hoje, a taxa de desemprego saltou de 12,2% para 12,6% entre março e abril. O número de desempregados chegou a 12,8 milhões de pessoas. A taxa de desocupação no mesmo trimestre ainda é menor do que a maior da série, quando chegou a 13,7% que ocorreu em março de 2017.

Jun 2020

3 min 5 sec

Uma das características da crise econômica provocada pelo novo coronavírus é um impacto imediato no mercado de trabalho. Basta lembrar que até agora a taxa de desemprego nos EUA passou dos 4,4% para 14,7%. A crise do novo coronavírus já custou mais de 1,1 milhão de vagas formais a economia brasileira segundo dados do Caged. Em abril o saldo de vagas formais foi negativo em 860,5 mil enquanto em março as demissões superaram as admissões em 240,7 mil. Depois de algumas dificuldades de divulgação no início do ano e que foram amplificadas com a crise da Covid-19, o Ministério da Economia finalmente divulgou os dados de emprego formal de janeiro a abril. Apesar de um saldo superior se comparado a ano passado nos meses de janeiro e fevereiro a crise impôs uma nova realidade. O saldo negativo acumulado até abril de 763,2 mil vagas de emprego formal é o pior resultado da história. Mais que o dobro do registrado no mesmo período em 2016, negativo em 378,5 mil. Apenas os estados do Acre, Mato Grosso do Sul e Roraima apresentam saldo positivo. Apenas no estado de São Paulo no ano foram destruídas 227,7 mil vagas de emprego formal, no Rio de Janeiro 125,1 mil. A crise da Covid-19 afeta principalmente determinados setores da economia. Apenas o comércio já perdeu 342,7 mil vagas no ano. O setor de serviços 280,7 mil vagas. O único setor com saldo positivo no ano é o setor agropecuário, com mais de 10 mil vagas formais criadas. O agro continua superando as dificuldades da crise e sendo o ponto positivo da economia. O resultado péssimo no mercado formal poderia ser ainda pior. Segundo o Ministério da Economia desde 1º de abril, data da edição da Medida Provisória 936/2020, que criou o Programa Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda, foram preservados mais de 8,1 milhões de empregos no país. O resultado de abril deve impactar a taxa de desemprego de abril que será divulgada amanhã pelo IBGE. O aumento exponencial do desemprego, apesar das medidas de mitigação da crise, é inevitável. Cabe ao governo a manutenção da renda durante o combate a pandemia que só será sucedido com uma real união nacional, e dar condições para possibilitar uma retomada da economia e, principalmente, do mercado de trabalho.

Jun 2020

3 min 21 sec

A prévia da inflação do mês de maio, o IPCA 15, foi de -0,59%, a maior redução desde o Plano Real em 1994. Em tese, preço caindo é algo positivo para o cidadão, mas a razão da queda dos preços não é boa. A economia passa por uma grave recessão que pode virar uma depressão, se não for bem tratada. Em 12 meses o IPCA 15 acumula uma alta de apenas 1,96% e no ano de 0,35%. Novamente o principal motivo da queda nos preços é o item “transportes” que caiu 3,65% com a gasolina variando -8,51% e o etanol -10,40%. Diferente de abril quando subiu 14,83%, o subitem “passagens aéreas” caiu 27,08% em maio O item alimentação e bebidas, único item a subir em abril, também registrou alta em maio (0,46%). Em abril a alta foi de 2,46%. Alguns subitens como cebola (+33,59%) e batata-inglesa (+16,91) continuam subindo. Por outro lado, o subitem carnes (-1,33%) desacelerou. O segundo mês completo de quarentena nas maiores cidades do Brasil deixou os consumidores mais habituados com o novo normal, e o medo inicial de desabastecimento praticamente desapareceu. Portanto, aquela corrida aos supermercados deixou de acontecer e a pressão sobre o preço dos alimentos diminuiu. É provável que quando a economia brasileira começar a reabrir, esse quadro de deflação seja parcialmente revertido. O cenário de inflação baixa e a grave recessão da economia brasileira permitem corte adicional da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária a ser realizado no dia 19 de junho.

Jun 2020

2 min 42 sec

Independentemente de seu mérito no plano jurídico, a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril teve efeitos distintos do ponto de vista político e econômico. Do ponto de vista econômico, a leitura do mercado foi pragmática e gerou uma primeira reação positiva. Na última sexta-feira, o futuro do Ibovespa passou de queda para alta superior a 1%, indicando uma abertura em alta, como foi verificado hoje. Para uma boa parcela de juristas, o vídeo não contém provas cabais para enquadrar o Presidente em crime de responsabilidade e deflagrar um processo de impeachment. Além disso, do conjunto de manifestações da reunião, que pouco ou nada tem a ver com o inquérito, depreende-se que o Ministro Paulo Guedes continua mandatado na área econômica, o que agrada o mercado. Em contraste, do ponto de vista político, a revelação do teor da reunião aumentou a tensão e comprometeu o ambiente de cooperação que havia sido gerado com a reunião realizada na quinta-feira entre Bolsonaro, os governadores e os presidentes da Câmara e do Senado. Este evento havia constituído um marco na condução da crise contra o novo coronavírus e transmitido uma mensagem de união entre os líderes do país, precisamente o que é necessário neste momento. O combate eficaz à pandemia requer uma ampla coalizão política e uma ação coordenada e harmônica entre os Poderes da República e as três esferas de governo. Algo ainda possível, mas mais difícil depois dos constrangimentos gerados pelo vídeo. A consequência é uma volatilidade ainda maior do ponto de vista financeiro. Enquanto isso, a economia real continua preocupando. Hoje o Boletim Focus indicou a 15ª redução consecutiva na projeção do PIB que passou de -5,12% para -5,89%. Não bastasse a tragédia de saúde pública, o custo da recessão e do desemprego, deveria ser suficiente para superar as poicuinhas políticas e promover a união nacional contra a pandemia.

Jun 2020

2 min 59 sec

Uma disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo não é boa para ninguém, especialmente em uma momento de pandemia e recessão global. A guerra comercial entre EUA e China teve uma trégua no início de 2020, quando ambos concordaram em não aumentar as tarifas sobre importações. Mas, ao que tudo indica, em meio à maior pandemia dos últimos 100 anos é provável que o conflito entre Washington e Pequim seja retomado. Desde o início da pandemia, Donald Trump acusa os chineses como culpados pelo propagação do vírus pelo mundo. De maneiras diferentes as duas economias estão sofrendo com a crise. No caso dos EUA, o crescimento do desemprego pode ser um fator que dificulte a reeleição de Donald Trump. A taxa de desemprego saltou de 4,4% em abril para 14,7% em maio. Pela primeira vez desde 1990, a China não estipulou uma meta para o crescimento do PIB. Diante da volta de novos casos da COVID 19, há dúvidas quanto a real velocidade de recuperação da economia chinesa. Em ano eleitoral, a tensão com a China favorece Donald Trump que culpa as “desiguais relações comerciais dos EUA com os chineses” como parte do problema da economia. Em 2018, o déficit comercial dos EUA com a China foi de US$ 419,1 bilhões. Além da guerra comercial, a tensão entre EUA e China tem outros aspectos que merecem atenção. O território Chinês de Hong Kong, que até o final dos anos 1990 era uma colônia britânica e possui um regime político diferente. Hong Kong perdeu importância para a economia chinesa nas últimas décadas. Em 1993 o PIB de Hong Kong era equivalente a 27% do PIB, já em 2018 o PIB de Hong Kong representava dez vezes menos, 2,7% do PIB chinês. Os chineses manifestaram a intenção de tirar a autonomia do território e tal medida já resultou em protestos violentos no ano passado. A guerra comercial entre China e EUA pode trazer mais volatilidade para o mercado. Enquanto isso, no Brasil, a divulgação da reunião ministerial causa apreensão pelos desdobramentos políticos que possa acarretar. Agora que parecia haver uma conjuntura mais estável depois da reunião do presidente com os governadores, o tempo pode fechar novamente.

May 2020

3 min 19 sec

#21 Reunião entre Presidente e governadores deveria ter ocorrido cem dias atrás by Gesner Oliveira

May 2020

2 min 23 sec

O governo estuda uma nova rodada de medidas para preservação do emprego. Segundo cálculo do ministério da economia o Brasil preservou 7,5 milhões de postos de trabalho com as medidas anticrise. Mas o desafio é enorme. É preciso evitar que projeções sombrias para o mercado de trabalho se materializem com uma recessão sem precedentes na história econômica brasileira. A taxa de desemprego que já supera 12% poderia chegar a 15% ou 16%, sem contar a subocupação e o desalento que levariam a taxa de subutilização da força de trabalho a mais de 25%. A principal ideia apresentada foi a de retomar as medidas previstas na MP 905, conhecida como “carteira de trabalho verde e amarela”. O projeto perdeu validade após não ser votado pelo congresso no prazo estabelecido. Assim como na MP que deixou de valer, a nova proposta deve manter o foco na manutenção e na criação de novos postos de trabalho formais com a flexibilização de parte da legislação trabalhista. Porém, dessa vez sem o foco em uma faixa etária específica; a MP 905 facilitava a contratação de jovens entre 18 e 29 anos. Na preservação dos empregos o governo deve agir em duas frentes. Uma é facilitar o acesso ao crédito para micro e pequenas empresa. A outra é flexibilizar a legislação trabalhista e assim garantir que as empresas e os empregos se mantenham. O problema tem sido a demora entre o anúncio de uma medida e sua implementação. Culpa tanto do Legislativo como do próprio Executivo. No caso da ajuda para micro e pequenas empresas, sancionada ontem, o PL 1.282/20 demorou quase um mês entre a aprovação no congresso e a promulgação pelo Presidente da República. A MP 905 perdeu o valor porque o congresso não apreciou a medida no tempo regimental, por falta de articulação entre os poderes legislativo e executivo. As medidas do governo até agora foram na direção correta. Mas seu sucesso depende de um sentido de urgência que ainda não prevalece na complicada política pública no Brasil.

May 2020

2 min 56 sec

Em contraste com o experimento mal sucedido do megarodízio na cidade de São Paulo, a proposta de adiantar os feriados parece ter mais pontos positivos do que negativos. Depois do fracasso do rodízio de carros expandido, a prefeitura de São Paulo criou mais esta nova medida para aumentar o índice de isolamento social na cidade. Do ponto de vista sanitário, os domingos e feriados são os dias onde o isolamento social fica acima dos 50% na cidade de São Paulo. Nos feriados de 1 de maio e dos dias 10 e 21 de abril a taxa de isolamento social medida pelo governo do Estado ultrapassou os 50% durante todos os dias do final de semana. O megarodízio, por exemplo, levou a um aumento de aglomerações no transporte público, em direção oposta àquela que seria desejável para combater o novo coronavírus. Do ponto de vista econômico, a medida de adiantar feriados para a época de pandemia é correta. Como a economia está semi-paralisada, é melhor reservar dias úteis mais produtivos para o restante deste ano atípico de 2020. Um estudo realizado pela Federação do Comércio de São Paulo antes da crise do novo Corona vírus estimou que as perdas do varejo, apenas com feriados nacionais, seriam em torno de R$ 11,8 bilhões em 2020. Assim, setores que hoje estão parados pela crise sanitária da COVID 19 podem ser beneficiados pela medida. A complexidade de intervir no dia-a-dia de uma economia tão diversificada ilustra o desafio gigantesco de nossos governantes. Muitas vezes, medidas que podem fazer sentido no papel causam enormes danos para parcelas da população. O lado negativo do megaferiadão é que medidas tomadas com muita pressa podem pegar de surpresa setores que estão funcionando e precisam se adaptar, como é o caso do mercado financeiro e o sistema bancário. A cidade de São Paulo não é uma ilha. Sedia empresas que operam em escala nacional e internacional e que nem sempre podem parar suas atividades. A principal bolsa de valores da América Latina, a B3, deve continuar operando. Dois dias de feriado obrigam os bancos a postergar cobranças de juros para o próximo dia útil, por exemplo. Para complicar, em uma federação é preciso harmonizar as medidas com as de outros municípios, estados e União. Coisa que não tem ocorrido no Brasil nesta crise. A esperança é a de que a gravidade da situação tenha convencido a classe política de que é hora de união nacional. Esperemos que a reunião entre o presidente e os governadores prevista para esta quinta seja o início de uma nova atitude cooperativa diante do inimigo comum.

May 2020

2 min 58 sec

A projeção de crescimento do PIB, medida pela Pesquisa Focus, caiu pela décima quarta semana seguida. Passou de 4,11% para 5,12%, ultrapassando a projeção oficial do governo que está em 4,7%. A GO Associados projeta uma queda de 6,5% em seu cenário ba se. O que ainda não está claro é o tempo e a forma da recuperação da economia brasileira. O fator de maior peso é a solução do problema sanitário. A descoberta de um tratamento eficaz ou de uma vacina para a COVID 19 é o principal impeditivo para que a ec onomia volte. Índicios de uma solução, como os resultados iniciais positivos da vacina ora testada pelo Laboratório Moderna nos EUA, têm impacto positivo sobre o mercado que tende a antecipar tudo com a mesma velocidade que desaba diante de eventuais frus trações. No caso brasileiro ainda existem os fatores políticos e econômicos que já estavam por aqui antes da chegada do novo coronavírus e pioraram com a crise. A situação fiscal que estava longe de ser resolvida, agora voltou a constituir uma grande preo cupação com o aumento de mais de 4 vezes do rombo fiscal e o crescimento da dívida como proporção do PIB que deverá chegar a 95% no final deste ano. Além do PIB, a projeção de inflação para 2020 caiu pela décima semana seguida, de 1,76% para 1,59%. Abaixo da meta de 4% e do piso da meta também, de 2,5%. O cenário de baixa inflação pede cortes adicionais de juros. A Selic deve terminar o ano em 2,25%, que significaria um corte adicional de 0,75 p.p e o dólar deve permanecer até o fim do ano acima dos R$5, a projeção é de R$5,28.

May 2020

4 min 13 sec

Hoje foi divulgada a prévia do PIB, o IBC- br, divulgado pelo Banco Central. O IBC-Br caiu 5,9% em março, resultando em um declínio de 1,95% no trimestre. Neste período, houve apenas uma pequena influência da pandemia do novo coronavírus, pois a quarentena na maioria dos estados começou apenas a partir de meados de março. Em São Paulo, por exemplo, começou a valer em 24 de março. Assim, tudo leva a crer que o PIB deve cair mais no segundo trimestre. As projeções mais otimistas para o PIB de 2020 apontam para uma queda de cerca de -4%; o governo projeta uma redução de 4,7%. Isso seria a maior recessão anual da história brasileira. A GO Associados, após revisar sua projeção, espera agora uma redução de 6,5% do Produto Interno Bruto. Em um cenário pessimista a queda pode chegar a -8,5%. Isso equivaleria a cair em um ano mais do que foi reduzido em dois anos de recessão do governo Dilma. Enquanto os dados sobre o primeiro semestre da economia brasileira são desanimadores, a grande expectativa se volta para como e em quanto tempo ocorrerá a retomada da atividade econômica. Isso requer planejamento, coordenação entre as várias esferas de governo e entre os Poderes.

May 2020

2 min 28 sec

O pacote de ajuda aos estados, PLP 39/2020 aprovado pelo Congresso aguarda a sanção do Presidente da República. O projeto inicialmente previa uma contrapartida dos Estados e Municípios de congelamento dos salários dos servidores até dezembro de 2021. Desde a primeira votação no Senado, até a última votação na Câmara, foram incluídas uma série de exceções no projeto, reduzindo a economia inicial prevista de R$130 bilhões para apenas R$43 bilhões. O Presidente anunciou publicamente que iria seguir as orientações do ministro da economia, Paulo Guedes, e que até quarta feira vetaria as exceções ao projeto. Mas, infelizmente, o que era apenas uma especulação se confirmou, e o Presidente ainda não sancionou o projeto, pois aguardava que o Congresso aprovasse um reajuste para os policiais e bombeiros do Distrito Federal que são pagos pelo governo federal. Esse aumento de gastos ocorreu, inclusive, com orientação da liderança do governo. Os reajustes terão um impacto de R$ 505 milhões. Apesar do pequeno impacto frente à economia total do projeto, cerca de 0,4% da economia total, o simbolismo da medida é o mais grave. Abrir exceções para determinadas categorias é prejudicial ao próprio projeto, que pode ter o possível veto derrubado no Congresso. A projeção do Instituto Fiscal Independente (IFI) é que em 2020 o déficit público será de R$514,6 bilhões, cerca de quatro vezes maior do que a meta estabelecida antes da COVID 19. A adoção do corporativismo para determinadas categorias enfraquece o compromisso com a austeridade fiscal. O combate à pandemia exige o esforço de todos.

May 2020

3 min 24 sec

O boletim Focus com as projeções do mercado para a economia brasileira, indica uma, pela primeira vez, uma queda superior a 4% do PIB para 2020. A expectativa para 2020 caiu pela 13ª semana seguida passando de uma queda de 3,76% para - 4,11%. A paralisação da economia e avanço do coronavírus indicam que as projeções ainda podem piorar. A expectativa de crescimento para 2021 continua em 3,2%. Há projeções ainda mais pessimistas, como a da Societé Generale, de -7,3%; a do banco JP Morgan, de -7%. Caso a projeção da pesquisa Focus se confirme, o PIB da economia brasileira em 2021 estará cerca de 1% abaixo do registrado em 2019. A volta ao patamar pré-crise ocorreria apenas em 2022. No final da gestão Bolsonaro, em 2022, (ou da primeiro mandato), o PIB estaria 1,4% acima do pré-crise, sempre de acordo com a pesquisa Focus. O cenário deflacionário e de queda do juros fez com que a projeção tanto do IPCA quanto da taxa Selic também fossem reduzidas. A projeção de inflação passou de 1,96% para 1,75% enquanto que a taxa Selic para o fim do ano passou de 2,75% para 2,5%. Ou seja, ainda haveria espaço de meio ponto percentual de queda da Selic que agora está em 3%. A recessão em 2020 é inevitável frente à crise do coronavírus. Em um momento como este é preciso que todas as categorias deem sua cota de sacrifícios. Nisto reside a importância do veto presidencial ao aumento de salário dos servidores aprovado irresponsavelmente pelo Congresso. Esta é a expectativa do anúncio que Bolsonaro deve fazer hoje ao sancionar o projeto de ajuda a Estados e Municípios, o PLP 39/2020.

May 2020

3 min 24 sec

A Pesquisa Mensal dos Seviços (PMS) de março é o primeiro dado do indicador que demonstra os efeitos do novo coronavírus em um segmento muito importante para a econômica brasileira, o setor de serviços. Lembre-se que os serviços representam cerca de 60% do PIB. Os segmentos que foram considerados essenciais pelo Bolsonaro fazem parte deste segmento: academias, barbearias e salões de beleza. A PMS indicou uma queda de 6,9% em março. Como esperado, alguns setores sofreram mais do que outros: serviços prestados às famílias apresentaram queda de 31,2%, enquanto o setor de transporte de 9%; urismo caiu 30%, a maior redução desde o início da série histórica. Lembre-se que as políticas de isolamento social tiveram início apenas no final de março. Portanto, é provável que o declínio continue a ser observado nos próximos meses, principalmente em abril, quando a quarentena se estendeu durante todo o mês. Os dados divulgados agora representam cerca de dez dias de quarentena, com a adoção gradual nos estados brasileiros a partir da segunda metade de março. Por outro lado, houve um crescimento de setores beneficiados pelas medidas de isolamento social, como serviços de tecnologia da informação (2,4%). Com as pessoas trabalhando em casa, a demanda por tais serviços deve continuar em alta até o fim da pandemia e possivelmente depois Mesmo que as medidas de quarentena sejam flexibilizadas a partir do final de maio, é provável que o setor siga tendo dificuldades para se recuperar enquanto durar a pandemia. É o que se observou em shoppings, centros comerciais e academias que foram reabertos em Santa Catarina no final de abril, porém com um movimento 80% abaixo normal. Apenas uma reabertura planejada e segura serve ao propósito de recuperar a economia de forma consistente.

May 2020

2 min 27 sec

Minuto de Economia #14 - O que vai mexer com a economia na próxima semana... by Gesner Oliveira

May 2020

2 min 28 sec

O Brasil registrou uma queda de 0,31% nos preços em abril. Inflação baixa é sempre bom, mas o resultado de abril é uma consequência da grave crise econômica causada pela Covid-19 e que se não for muito bem administrada poderá levar o país a uma depressão. O item transportes que variou -2,66% é o destaque por mais um mês. O preço dos combustíveis continuaram caindo, principalmente, a gasolina (-9,31%) e o etanol (-13,51%). Das nove grandes categorias, apenas “alimentos e bebidas” (1,79%) e vestuário (0,10%) registraram alta. Itens como feijão, cebola, batata e tomate ficaram entre 10% e 34,83% mais caros. Tais aumentos doem mais no bolso das classes mais pobres, cujos orçamentos registram maior peso para alimentação. Essa alta do preço dos alimentos poderia ser impulsionada pelas noticias sobre a paralisação completa das cidades, o chamado lockdown, e o temor de desabastecimento nesses casos. Apesar do fechamento de algumas cidades, incluindo capitais, como São Luis no Maranhão, até agora não há relatos de falta de produtos, uma vez que as atividades essenciais continuam funcionando normalmente. Portanto, essa pressão sobre os preços dos alimentos deve diminuir. A alta acumulada dos últimos 12 meses no IPCA é de 2,4%, o ultimo boletim Focus projeta uma inflação de 1,94% contra uma meta do Banco Central para 2020 de 4%. O cenário de queda dos preços justifica plenamente o corte na taxa Selic promovida nesta semana pelo Copom, bem como sugere que ainda há espaço para outros cortes na taxa de juros.

May 2020

2 min 59 sec

Anúncio hoje da intenção do presidente Bolsonaro vetar aumento aos servidores como contrapartida ao pacote de ajuda aos estados foi fundamental para melhorar as expectativas econômicas. É preciso conciliar pacote de ajuda contra a pandemia com responsabil idade fiscal. O corporativismo no Brasil mata tanto quanto o novo coronavírus porque impede que o Estado se reorganize e encontre recursos para superar a crise. Ter responsabilidade fiscal mesmo em momentos de pandemia é essencial para a manutenção da tax a de juros em níveis historicamente baixos no médio a longo prazo. O Comitê de Política Monetária (COPOM), cortou em 0,75p.p. a taxa básica de juros, a SELIC, que agora está em 3%. É a sétima redução consecutiva, chegando a uma nova mínima histórica de ju ros. O corte confirma a projeção da GO Associados. A decisão do Copom de reduzir a taxa Selic foi correta. Com a recessão provocada pela pandemia e a inflação esperada inferior a 2% (contra uma meta de 4%), a decisão não poderia ser outra. O comunicado divulgado após a reunião indicou que o corte foi motivado principalmente pela redução da atividade econômica mundial, pela redução do preço das commodities e pela alta 0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00 IPCA Acumulado 12 meses Meta taxa Selic Trajetória de queda da taxa de juros e da inflação *Projeção do IPCA Presidente acerta ao anunciar veto para cheque em branco aos estados e municípios volatilidade nos preços dos ativos, causados pela pandemia do novo volatilidade nos preços dos ativos, causados pela pandemia do novo coronavícoronavírus. Além da preocupação com a situação fiscal do Brasil.rus. Além da preocupação com a situação fiscal do Brasil. O corte da Selic era necessário, especialmente como sinalizador da O corte da Selic era necessário, especialmente como sinalizador da disposição da autoridade de estimular a economia, mas não é disposição da autoridade de estimular a economia, mas não é suficiente para a recuperação econômica. suficiente para a recuperação econômica. Mas, no momento, a prioridade Mas, no momento, a prioridade deve ser fazer com que o crédito mais deve ser fazer com que o crédito mais barato chegue às micro e pequenas empresas que ainda sentem barato chegue às micro e pequenas empresas que ainda sentem dificuldades de ter acesso ao crédito. Com a ajuda aos pequenos dificuldades de ter acesso ao crédito. Com a ajuda aos pequenos empresários é possível preservar milhares de empregos. empresários é possível preservar milhares de empregos. Nem isso é suficiente. O conjunto do Nem isso é suficiente. O conjunto do pacote de ajuda precisa pacote de ajuda precisa funcionar. funcionar. A parceria com o setor privado precisa funcionar para aumentar o A parceria com o setor privado precisa funcionar para aumentar o investimento em infraestrutura. investimento em infraestrutura. Ao contrário de vozes irresponsáveis do ponto de vista fiscal, as Ao contrário de vozes irresponsáveis do ponto de vista fiscal, as reformas precisam ser aceleradas e não esquecidas usandoreformas precisam ser aceleradas e não esquecidas usando como como pretexto a pandemia. Daí a importância de vetar a eliminação de pretexto a pandemia. Daí a importância de vetar a eliminação de contrapartidas de ajuste fiscal no pacote aos estados. contrapartidas de ajuste fiscal no pacote aos estados. O corporativismo nunca é benéfico ao país. Em tempos de pandemia O corporativismo nunca é benéfico ao país. Em tempos de pandemia pode condenar a sociedade brasileira à crise e depressão. Esperempode condenar a sociedade brasileira à crise e depressão. Esperemos os que o veto do Presidente Bolsonaro seja confirmado. que o veto do Presidente Bolsonaro seja confirmado.

May 2020

3 min 31 sec

As bolsas internacionais estão aos poucos recuperando, mas a situação política no Brasil não ajuda em nada a economia. A tramitação do pacote de ajuda aos estados e municípios foi aprovada ontem da Câmara dos Deputados. Ao contrário do que se esperava o texto alterou pontos importantes do projeto aprovado anteriormente no Senado Federal. Agora é o ping-pong Câmara e Senado na novela de ajuda aos estados e municípios. A contrapartida de congelamento dos salários do funcionalismo até dezembro de 2021, prevista no texto do Senado, perdeu quase todo o efeito com a aprovação de emendas, apresentadas inclusive por lideranças do governo, que retiraram a limitação de reajustes salariais para todos os profissionais da segurança, entre outras áreas. Por fim, foi retirado do texto a frase que excluía do congelamento as categorias que estivessem diretamente envolvidas no combate à pandemia da COVID 19. A desidratação das contrapartidas novamente dá aos estados um “cheque em branco” para gastar sem assumir a responsabilidade com as contas públicas. A decisão preocupa, pois a Câmara dos Deputados transmite a ideia de que os interesses corporativistas do funcionalismo público estão acima da necessidade de sacrifício perante a maior crise sanitária do último século. O projeto terá que voltar ao Senado Federal já que a Câmara o modificou. As idas e vindas do projeto atrasam a ajuda na recomposição de receitas estados e municípios que apresentam alto grau de endividamento e terão que contrair novas dívidas, caso o governo federal não recomponha seus caixas neste momento crítico. De acordo com o último Relatório do Tesouro, dentre os estados, apenas o Espírito Santo recebe boa avaliação em questão de saúde fiscal. A resistência do corporativismo mesmo na crise mostra a dificuldade de se aprovar projetos importantes para o país. Enquanto o trabalhador privado perde o emprego ou renuncia a parte do salário, o trabalhador do setor público não tem sequer o salário congelado. E no meio desse conturbado contexto político, a agência de classificação de risco Fitch manteve a nota do Brasil em BB-, nota que se mantem desde fevereiro de 2018. Dessa vez, porém, foi revisada a perspectiva para negativa. Além dos problemas diretamente causados pela pandemia que vão levar a uma deterioração fiscal ainda maior, a agência citou justamente as incertezas políticas, causadas pelos atritos entre os poderes da república como causa do pessimismo em relação à economia brasileira.

May 2020

3 min 23 sec

Começam a ser divulgados os dados da economia do mês de março. Se os indicadores até agora permitiam enxergar a economia pelo retrovisor, agora começa a ser possível avaliar os danos do novo coronavírus. A queda na produção industrial em março (-9,1%) é a maior desde a greve dos caminhoneiros em maio de 2018, quando o recuo foi de 11%. O tombo já era esperado, mas as projeções mais pessimistas indicavam no máximo -5%. Um dos destaques negativos foi a atividade automotiva (-28%). Apenas 3 dos 26 setores pesquisados apresentaram avanço. Impressão e reprodução de gravações (8,4%), de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (0,7%) e de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (0,3%). As políticas de isolamento social e as incertezas da crise do novo coronavírus contribuíram para uma queda na produção a partir da metade do mês de março. O mês de março, portanto, será apenas um aperitivo para a redução da atividade industrial que deve se verificar em abril. Um exemplo é a venda de veículos. Segundo a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (FENABRAVE) a venda de veículos novos, que havia caído 18,45% em março na comparação com março de 2019, reduziu 76% em comparação com abril do ano passado. As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus nos primeiros quatro meses de 2020 estão no mesmo patamar de 28 anos atrás. Os dados indicam a gravidade da crise do novo coronavírus na economia brasileira. Resta saber agora quando começa e com que velocidade ocorrerá a recuperação. Milhares de famílias e empreendedores precisam saber esta resposta para tomar decisões concretas acerca de seus orçamentos. Ela depende da capacidade de retomar as atividades de forma consistente com os cuidados sanitários, sem novos surtos da Covid 19; do governo conseguir implementar as medidas compensatórias, como o coronavoucher e a ajuda aos estados que deve ser aprovada hoje em segundo turno pelo Congresso; da capacidade de formular um plano de recuperação consistente que inclua um salto do investimento em parceria com a iniciativa privada e viabilizado pelo aprofundamento das reformas; e contar com um cenário internacional que não piore ainda mais a recessão com o agravamento do conflito comercial entre EUA e China.

May 2020

3 min 17 sec

O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana... O principal acontecimento econômico da próxima semana é a visita do vice primeiro ministro chinês, Liu He, aos EUA para assinar a primeira fase do acordo comercial entre as maiores economias do mundo. No Brasil, haverá a divulgação de dados sobre o setor de serviços e varejo referentes ao mês de novembro. A GO Associados projeta que o setor de serviços deve apresentar queda de 0,4% em relação a outubro. Já o varejo deve apresentar crescimento de 1% na comparação mensal. As tensões no Oriente Médio também devem continuar no radar dos investidores.

Jan 2020

1 min 29 sec

O otimismo do mercado na virada do ano foi abalado pela escalada de tensões no Oriente Médio após a morte do general Qasem Soleimani e a retaliação iraniana às bases americanas no Iraque. O mercado chacoalhou e o preço do petróleo subiu chegando a ser negociado acima dos US$ 70. Entretanto, as tensões arrefeceram com as bolsas voltando a subir e o petróleo caindo a níveis pré-ataque após o discurso de Donald Trump. O receio de um conflito abrangente afeta a economia brasileira em três aspectos. Primeiro, oscilações nos preços do petróleo e dólar causam choques inflacionários, reduzindo espaço para uma queda maior da taxa de juros. Isso, por sua vez, limita a recuperação da economia. Segundo, ocorre maior oscilação nos preços de ativos como dólar e ações. Isso é importante ter em conta em um momento em que os investidores demandam mais ativos de riscos em virtude da queda da taxa de juros. É sempre bom lembrar que ativo de risco, como ações, podem gerar mais retorno, mas como o nome sugere também tem maior risco. Terceiro, as exportações brasileiras podem sofrer com o agravamento de um conflito dessa natureza. O Irã é o 23º importador dos produtos brasileiros, incluindo itens como milho, soja e carne bovina e açúcar. Mas, por ora, volta o otimismo. Especialmente com a perspectiva de um acordo EUA-China na próxima semana. A tendência é de alta, mas prepare-se para volatilidade. Em linguagem de piloto de avião, desfrute o voo, mas afivele o cinto de segurança e uma boa viagem em 2020!

Jan 2020

2 min 7 sec

O Brasil ainda é um país pobre que se comporta como um milionário gastão. O Congresso aprovou o Orçamento da União para 2020. Apesar da melhora do quadro fiscal, a proposta de campanha de zerar o déficit no 1º ano de governo se mostrou irreal. O Orçamento de 2020 indica que a meta não deve se concretizar no também no próximo ano: a meta fiscal é de um déficit primário de R$ 124 bilhões, embora o mercado projete um rombo menor, de R$ 84 bilhões. Infelizmente no Brasil orçamento e prática ainda não andam juntos, mas o mínimo que se espera para acertar as contas é ter um orçamento. Isso que vale para as finanças de uma família, também deveria valer para a União. Com base nas premissas do orçamento é possível ter um quadro da economia no ano que vem, pelo menos na visão oficial. Um crescimento do PIB de 2,32%, inflação de 3,53%, Selic de 4,4% e dólar de R$ 4 e um salário mínimo para 2020: R$ 1.031. Um reajuste de 3,31% em relação ao valor de 2019, ou seja, com correção apenas pela inflação, sem aumento real. Um dos pontos mais polêmicos do projeto, o aumento do absurdo fundão eleitoral para R$ 3,8 bi ficou de fora. O relatório estabelece a proposta do governo de R$ 2 bi, o mesmo praticado nas eleições de 2018. A existência do fundo já é absurda - especialmente pela falta de orçamento para prover serviços básicos para a população -, quase dobrar seu valor seria ainda pior. O orçamento também projeta a aprovação da chamada “PEC Emergencial”, que criará gatilhos para a contenção de gastos, como a possibilidade de redução de jornada dos servidores em 25%, com igual redução de salários. Um ponto positivo é o aumento dos investimentos públicos previstos, aumentando de R$ 22,5 bilhões em 2019 para R$40,5 bilhões em 2020. Muito pouco ainda, mas já é um avanço. A perspectiva para a situação fiscal do Brasil melhorou no último ano com a Reforma da Previdência e a queda dos juros, mas ainda está longe do ideal. O Brasil ainda é um país pobre que se comporta como um milionário gastão.

Dec 2019

4 min 33 sec

Apesar dos bons resultados em outubro, a indústria continua em uma situação difícil. O patamar da produção industrial em outubro ainda é quase 16% menor do que o pico da série histórica observado em maio de 2011. Mesmo que o leitor não trabalhe na indústria, deve saber que a atividade industrial afeta decisivamente os serviços, o comércio, o conjunto da economia com forte repercussão sobre o emprego. Portanto, é urgente recuperá-la!! 2019 tem registrado uma recessão industrial até outubro: foi 1,1% no acumulado do ano. A tragédia de Brumadinho, que gerou uma queda da indústria extrativa de 9,5% e a crise argentina concorreram para o fraco desempenho.

Dec 2019

2 min 21 sec

Em seu Twitter, Trump, acusou Brasil e Argentina de promoverem desvalorização cambial e prometeu retaliar os países elevando as tarifas de importação para o alumínio e aço brasileiro. A manifestação de Donald Trump não tem fundamento econômico, mas uma clara motivação política. Brasil e Argentina não estão voluntariamente desvalorizando suas moedas. Trata-se de um fenômeno mais geral que afeta os sistemas monetários das economias emergentes e não o resultado de uma política deliberada do Brasil da Argentina, ou de qualquer outro país individual. A Argentina, por exemplo, sofreu uma crise cambial com efeitos negativos sobre a economia, especialmente sobre o custo de vida. Donald Trump sabe disso. Mas faz alarde com uma medida protecionista para agradar o eleitorado de olho nas eleições presidenciais de novembro de 2020. Também dá um recado para o seu banco Central, o Federal Reserve (FED). Trump vem propondo uma redução dos juros, mesmo sabendo que o presidente dos EUA não fixa o custo do dinheiro. Juros menores nos EUA diminuiriam a atratividade de ativos denominados em dólares e consequentemente a demanda por dólar e seu preço em várias moedas. Neste sentido, as decisões do FED são muito mais importantes para o valor do Real ou do peso argentino do que as políticas econômicas destes países. Donald Trump também sabe disso. Mas está mais preocupado com as eleições dos EUA do que com a economia mundial. Este e outros pontos de incerteza da economia mundial podem representar um obstáculo para a retomada do crescimento brasileiro. Justo agora que a economia nacional dá sinais mais claros de recuperação.

Dec 2019

2 min 46 sec

O resultado do PIB confirmou que a recuperação da economia ganhou força: o PIB cresceu 0,6% no 3º trimestre em relação ao 2º, acima do esperado pelo mercado (0,4%). É o equivalente a um ritmo anualizado de 2,4%. Os três macrossetores da economia brasileira apresentaram crescimento:, agropecuária avançou 1,3%, a indústria 0,8% e o setor de serviços 0,4%. O bom desempenho da indústria vem da construção civil que em relação a 2018 cresceu 4,4%. Isso dá esperança de elevação do emprego. Também a indústria extrativa registrou crescimento expressivo (10,3%).

Dec 2019

2 min 34 sec

Dados sobre empregos formais em outubro do Caged apresentaram resultado positivo pelo sétimo mês consecutivo, mas abaixo do esperado. • Em outubro foram gerados 70.852 novos postos de trabalho formais, contra 53 mil em outubro 2018 e abaixo dos 75 mil esperados. • O saldo de jan/out está em 392 mil empregos • As cinco regiões do Brasil apresentaram resultado positivo. • É o sétimo mês consecutivo de saldo positivo. • O saldo de outubro foi puxado pelo aumento do comércio, serviços e indústria da transformação. • Na modalidade de trabalho intermitente foram gerados 6.087 mil novos empregos.

Nov 2019

3 min 56 sec

Tem muita gente assustada porque o dólar bateu novo recorde, chegando a R$ 4,20. Não é verdade. É um recorde nominal, mas não real. Para o preço ser um recorde real é necessário considerar tanto a inflação brasileira quanto a internacional. O recorde real da cotação ocorreu em 22 de outubro de 2002, com o chamado Risco Lula que estava prestes a ser eleito presidente pela primeira vez. O dólar naquele momento chegou a R$ 3,95, que considerando as inflações do Brasil e dos EUA no período, equivale a R$ 7,70.

Nov 2019

2 min 54 sec

O minuto de economia hoje é sobre o risco Lula e consequências

Nov 2019

7 min 39 sec