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#173 Eu Não Sou Racista

By Mamilos

Negros e as negras correspondem hoje a 50,7% da população (segundo autodeclarações que só tendem a crescer), mas estão em desvantagem social e sofrem de desproporção de representatividade nos âmbitos político, jurídico, econômico, acadêmico e muitos outros, aparecendo como protagonistas apenas nos piores índices nacionais. Os negros são 50% da população, mas apenas 15% dos juízes atuantes no país, 30% dos senadores e 20% dos deputados federais. Dos 28 ministros executivos nomeados, apenas uma é negra, além de não haver sequer um ministro negro no Supremo Tribunal Federal. A chance de um negro ser analfabeto é cinco vezes maior do que em relação a um branco; apenas uma a cada quatro pessoas a obter um diploma do ensino superior é negra.  Os afro-brasileiros representam apenas 20% do PIB. O desemprego é 50% superior ao restante da sociedade, e quando ocupados, negros têm rendimentos equivalentes a 67,8% dos não negros. Na outra ponta, negros representam 75% da população carcerária brasileira e 70% das pessoas em situação de extrema pobreza. Infere-se que a cada 100 pessoas que sofrem homicídio no país, 75 delas são negras. O que esses dados contam pra você? Pra ONU, esses dados mostram que o racismo no Brasil é "estrutural e institucionalizado" e "permeia todas as áreas da vida", esse foi seu informe sobre a situação da discriminação racial no país publicado em 2014. A parte simbólica que justifica e reproduz esses números que mostramos é mais sutil, e por isso mais difícil de atacar. Foi a discussão que assistimos com o comercial da Perdigão esta semana: um filme que mostra uma família bem sucedida com protagonismo de um homem branco que vai fazer caridade e doar um Chester para uma família pobre com protagonismo de uma mulher negra. O filme provocou desconforto em muita gente. Mas a maioria das pessoas fica desconfortável é com essa discussão. O paradoxo desse terceiro momento das teorias do racismo tá no contexto atual, em que uma ampla condenação das ideologias e práticas racistas convive com a reprodução das desigualdades econômicas, políticas e culturais entre diferentes grupos racializados. E é por isso que hoje o Mamilos vai falar sobre Racismo Estrutural, encerrando o Mês da Consciência Negra, onde todos os programas contaram com participação apenas de especialistas negros. Na mesa, contamos com a presença de Márcio Black, cientista político e coordenador da Fundação Tide Setubal, e Silvia Souza, advogada pós-graduada em direito e processo do trabalho e pós-graduanda na UFABC em Direitos Humanos. Abre a mente e o coração e taca-lhe o play neste Mamilos! ======== FALE CONOSCO . Email: mamilos@b9.com.br . Facebook: aqui . Twitter: aqui ======== CONTRIBUA COM O MAMILOS Quem apoia o Mamilos ajuda a manter o podcast no ar e ainda recebe toda semana um apanhado das notícias mais quentes do jeito que só o Mamilos sabe fazer. É só R$9,90 por mês! Corre ler, quem assina tá recomendando pra todo mundo. https://www.catarse.me/mamilos ======== EQUIPE MAMILOS Edição - Caio Corraini Produção - Maíra Teixeira Apoio a pauta - Jaqueline Costa e grande elenco Transcrição dos programas - Lu Machado e Mamilândia ======== CAPA A capa dessa semana foi feita por Zeca Bral (Colagem digital usando recortes diversos de obras de Elifas Andreato, "O Mestiço" (Cândido Portinari) e "Bueno Caos"). ======== FAROL ACESO Marcio: Livro "Quando Me Descobri Negra", filme "Falcão - Meninos do Tráfico" e série "Atlanta"; Silvia: Livros "O que é Racismo Estrutural" e "Entre o Encardido, o Branco e o Branquíssimo" e canção "Carta à Mãe África"; Cris: Filme "Branco Sai, Preto Fica" e livro "Quem tem Medo do Feminismo Negro?"; Ju: Episódio "The Culture Inside" do podcast Invisibilia e filme "Benzinho". Link pro post no B9: https://www.b9.com.br/100487/mamilos-173-eu-nao-sou-racista/

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